Manchester City: Serão Touré e Silva mesmo “bons amigos”?

27 de Fevereiro de 2016

Sente-se que pode, a qualquer momento, perder o jogo coletivamente. Sente-se que pode, a qualquer momento, ganhar o jogo individualmente. Ambas as sensações simultaneamente ou alternadas no mesmo jogo. O último jogo com o Dínamo Kiev, foi um bom exemplo desta visão multidimensional do futebol do Manchester City.
Tenho dificuldade em atribuir esta responsabilidade a um treinador de saber acumulado como Pelegrini. Tem a ver mais com o perfil coletivo (nos equilíbrios de poder que se formam por dentro) do próprio balneário enquanto grupo.
Porque pelas características (e valor) dos jogadores, isto nunca deveria acontecer. Pelo menos, a primeira sensação. Mas é ela, de facto, que mais ameaça a equipa e, talvez, a vai afastar do titulo inglês.
Em Kiev, o 4x4x2 (ou 4x2x3x1 com Silva atrás de Aguero ) com que dominou a maior parte do jogo, teve um duplo-pivot de aço: Fernando-Yaya Touré. Fazer descair Fernandinho para falso ala-direito tem a intenção estratégiccitykieva de fechar ou abrir conforme a posse ou a cobertura sem bola. Prender mais Sterling na faixa e soltar Silva é atribuir mais liberdade ao jogador mais criativo-organizador, Silva. Tudo isto faz sentido. O intrigante são os momentos em que tudo isto baixa de “intensidade tática”, sobretudo a meio-campo, e os jogadores (suas posições/missões) parecem desconectar-se entre si.
Nestes casos, o assumir campo de um jogador-líder costuma ser o melhor recurso. Para a equipa e treinador. Neste City, YayáTouré provou ser esse elo (mental-físico-táctico) mas é quando a bola está nos pés de Silva que sente-se o futebol da equipa estar melhor entregue.
A solução era mesmo Silva e Touré serem os melhores amigos fora do campo. Jantarem juntos com as famílias, passar horas a falar de futebol. Não sei se isso acontece. Duvido. Esta parte final pode parecer uma caricatura do caso-Manchester City, mas, acreditem, não é.