“Calma para jogar” antes da “pressa para ganhar”

15 de Fevereiro de 2016

Todas as aventuras das equipas de Peseiro nos jogos são vistas essencialmente a partir da “montanha russa dos resultados” (golos e tendência do jogo) mas essa imagem, tão ilusória como real, esconde “outro treinador” por trás dela. E os últimos dois jogos (tão diferentes e tão iguais) revelaram que esse “homo tacticus sapiens” também sabe pensar/ler o jogo de outra maneira.

Em Dortmund, escondido atrás da porta defensiva espreitando a ver quando podia sair (não podia nunca), ou em casa com o Moreirense, assumindo “portas tácticas abertas” desde o inicio, ele quando chegou o momento de ter de tentar dar a volta ao resultado/jogo fez a mesma “estranha alteração”: tirou um avançado/extremo (Brahimi ou Corona) e meteu um médio (André André ou Evandro).
Pode parecer um contrassenso para quem precisa virar o jogo mas, no fundo, com esta alteração, Peseiro estava a “acalmar” essa tal ideia feita do ataque estilo “roleta-russa” para colocar em prática a sua forma mais sólida de ver o jogo: a equipa ter bola, saber, primeiro, manter a posse para construir melhor em controlo, e, depois, ativar desdobramentos ofensivos para chegar ao golo.

Se em Dortmund essas ideias tinham uma muralha germânica à frente, no Dragão, na realidade do nosso “futebolzinho” isso deu outra cabeça tática” a uma equipa que até então não controlava espacialmente o que faziam Fábio Espinho, Vitor Gomes e Iuri Medeiros, em cima do meio-campo portista.
Entrou Evandro, saiu o extremo que podia desequilibrar no um-para-um, e a equipa passou a jogar melhor, o que, inevitavelmente, leva a... atacar melhor.
Peseiro entrou com natural “pressa de ganhar”, mas é quando tem “calma para jogar” que pode deixar verdadeiramente a marca do treinador que é. Sem ideias feitas. Desta vez, o resultado deu-lhe razão, mas para quem vê o jogo antes desse inclemente argumento, já tinha dado antes.