Comparem o “espaço 10”

04 de Janeiro de 2016

Não é habitual ver uma equipa de Jesus construir de forma tão apoiada como tem feito este Sporting. Mesmo quando não o consegue, nota-se essa intenção que marca conceptualmente, em muitos momentos, a ruptura com a sua ideia mais tipíca de “equipa partida” esticando linhas em ataque mais rápido. É o principal factor táctico que destaco deste Sporting: esta é, das equipas de Jesus, a melhor trabalhada em termos de “jogo posicional”.
O clássico pode, desta forma, ser analisado, vendo as duas equipas, no prisma do confronto entre dois modelos de jogo, seu estado e evolução.
É intrigante como após época e meia ainda não se reconhece no FC Porto de Lopetegui uma ideia preferencial claramente definida para montar o meio-campo na construção de jogo.

Assim, no espaço onde o Sporting montava uma “teia-de-aranha vertical” (começando no “tricot musculado” de William para se estender de uma área a outra nos pés de Adrien, João Mário, vindo de uma faixa para dentro, até Brian Ruiz, última extensão dessa construção progressiva de jogo) o onze portista tinha um “fosso” entre o duplo-pivot Ruben Neves-Danilo e o médio mais adiantado com quem praticamente não existia ligação, Herrera.
Uma falta de ligação revelada nos princípios e conceitos pois Herrera é um médio de rupturas e não de vir pegar em posse como era necessário visto que nunca se vislumbrou que um dos pivots tivesse, na transição ofensiva, ordens para avançar no terreno com bola, uma rotina de jogo que falta no fitebol portista (e é a causa tática que leva ao eclipse de Imbula).

Explicando este clássico (e estratégias dos dois treinadores) através apenas dum jogador (ou melhor, duma posição), a forma mais simples de o perceber, e distinguir a capacidade de cada equipa em construir/criar jogo ofensivo com qualidade, sobretudo em termos de ultimo passe, é ver que enquanto o FC Porto tinha Herrera no espaço 10”, o Sporting tinha... Brian Ruiz.
Nesta simples comparação do perfil de cada jogador na mesma posição um cada uma das duas equipas fica, num ápice, tudo claro para explicar, como elas queriam e podiam jogar ( para além da ligação entre-sectores até a bola chegar a eles).
De Herrera a Brian Ruiz, descobre-se, no “espaço 10”, a força ou fragilidade do último elo de construção que faz (terminando ou não) a “teia-de-jogo”.