No fundo, ele é… “dois jogadores”

27 de Janeiro de 2016

Desde que a organização se tornou a referência, a noção de equipa sobrepõe-se sempre á do jogador. Pressing, ligação entrelinhas, movimentos coletivos. Fomenta-se essencialmente o “jogador trabalhador”, obediente taticamente. É essencial, sem dúvida. Por essa razão nunca como antes são necessários jogadores que sem perder de vista essa noção global levem a equipa (e sua organização) mais longe. Metaforicamente, nos movimentos, e literalmente, no comprimento em campo.

Slimani é esse tipo de jogador no Sporting na forma como “estica” a equipa ao ponto de esta, em rigor, ter o comprimento que ele lhe dá através do seu posicionamento, ganhando/dando profundidade que a faz crescer até ao local onde cai em cima da organização adversária mais recuada.
É um jogador fisicamente potente sem abusar permanentemente dessa dimensão. Com o passar do tempo o seu futebol também se tornou temporizador e inteligente. Por isso falava aqui na passada semana como um jogador como Slimani pode aos 27 anos ainda crescer no plano táctico-técnico no trabalhar da chamada “natureza do seu futebol”, uma componente filtrada pelos seus traços físico-estilísticos que pode ser refinada com a maior ou menor astúcia do treinador em os entender e explorar.

No fundo, Slimani são... “dois jogadores”.
Um deles, joga com a sua natureza pura, de costas, em apoios, conflituando com os centrais, aguenta para dar tempo à chegada de médios, laterais ou outro avançado. Vai em largura buscar “bolas de ninguém”, como se fosse segundo-avançado.
O “outro”, joga dentro da área, espaços curtos, choca, e como tem técnica de cabeceamento, o seu jogo aéreo é decisivo na finalização. É difícil de marcar porque sendo por definição um nº9 puro de referencia nunca está fixo no seu lugar.

Ás vezes, imagino o central adversário a pensar numa jogada qualquer que está à vontade, vai poder cortar fácil, meter na frente ou passar para o lado, quando de repente esse “pensamento táctico sossegado” é interrompido abruptamente pelo aparecimento de Slimani, braços, pernas, músculos, calções, chuteiras, tudo, por cima dele. Bem vindo de volta à realidade.
Se este campeonato tivesse um nome próprio em campo (e, no fim, terá) seria, neste momento, o dele: Slimani, “dois jogadores” na melhor versão de “desorganização... organizada”