1968:III CAMPEONATO DA EUROPA VENCEDOR: ITÁLIA

01 de Junho de 2000

“Mamma Mia” Itália!

O último Europeu dos anos 60, sobressaltou as consciências ofensivas do futebol europeu. Depois dos remotos anos 30, gloriosos tempos de Pozzo e Meazza, a Itália regressava ás grandes conquistas. Era o perturbante triunfo do “Cattenacio”, o traiçoeiro sistema táctico que arrepiou os cabelos do futebol mundial, que até então só entendia ser possível jogar para vencer através de uma táctica ofensiva. A partir de meados dos anos 60, os italianos ensinaram outro caminho para o triunfo, baseado na segurança defensiva, baseada no uso de um “líbero” fixo atrás dos defesas e em rígidas marcações individuais, regentes de um sistema que partindo de um 1-4-3-2 inicial, podia, de acordo com o decorrer do jogo, fechar-se ainda mais, num rígido 1-4-4-1, para defender o resultado.

Interpretado com maestria técnica e táctica por elegantes “calciatore” como Mazzola, Riva, Domenghini e Fachetti, enquanto que na baliza se iniciava um ragazzo de Turim que desde esse momento sentiu-se, entre as redes azzurra, como no sofá de sua casa, Dino Zoff, o “Cattenacio” aprisionou o 4-2-4, fazendo recuar dois homens para trás da linha da bola. Após o tremendo fracasso do Mundial-66, quando uma eléctrica selecção sul coreana, vencendo por 1-0, fez corar os incrédulos jogadores italianos, eliminados por onze eléctricos asiáticos, o futebol italiano sentia que era imperioso reconquistar o respeito de todo o mundo do futebol. O torneio europeu de 68, realizado em sua casa, era a grande oportunidade.

No caminho para a Final tinha, porém, de passar pela sempre temível URSS, de novo em busca da coroa europeia. Dramático, o jogo terminou sem golos. O desempate seria feito pelo absurdo regulamento da época: moeda ao ar! Sem pestanejar, o árbitro alemão federal Kurt Tschender lançou a lira á atmosfera. Durante segundos, que pareceram anos, a moeda dançou no ar, perante o olhar lívido dos dois capitães, até que caiu na relva e, caprichosa, sorriu ao capitão transalpino, Fachetti.

A Itália seguia em frente e provava que, de facto, todos os caminhos vão dar a Roma, o palco do jogo decisivo, frente á morena Jugoslávia do sábio técnico Mitic, que afastara a Inglaterra campeão do mundo, de Alf Ramsey, na meia-final, 1-0. Antes do inicio da prova um facto, no entanto, já a tornara histórica: Finalmente, a RFA decidira participar, agora que á frente dos seus destinos estava Helmut Schon, sucessor do velho Sepp. Seria, porém, uma estreia sem glória, sendo eliminada na fase de apuramento depois de um inacreditável empate com a modesta Albânia, derrotada no primeiro jogo, na Alemanha, por 6-0. Confiante, apesar de ter obrigatoriamente de ganhar, Schon não levou a Tirana os craques Beckenbauer, Seller, Muller e companhia. Com o decorrer do jogo maior se tornou o arrependimento.

Quando este terminou sem golos, isto é com uma grande vitória dos albaneses, mal podia acreditar no resultado que, assim, abria caminho á Jugoslávia para seguir viajem até Itália. Em Roma, a virtuosa selecção eslava ambicionava o título. O vencedor só seria encontrado ao fim de dois jogos. No primeiro terminara 1-1 e, desta feita, em vez da cínica moeda, o regulamento ditava um novo jogo dois dias depois. No segundo embate, o seleccionador italiano apostou em Mazzola, Riva e De Sisti, que não tinham jogado 48 horas antes e, num ápice, a squadra azzurra pareceu ganhar nova vida, vencendo a Jugoslávia por 2-0, golos de Anastasi e Riva. JOGADOR ESTRELA: FACCHETTI (ITÁLIA) JOGADOR REVELAÇÃO: MAZZOLA (ITÁLIA) GOLEADOR: RIVA (ITALIA) 7 GOLOS (Fase Final+Elim.)

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