1976 :V CAMPEONATO DA EUROPA.VENCEDOR: CHECOSLOVÁQUIA

01 de Junho de 2000

O “CHAPÉU” DE PANENKA

Apesar da explosão gloriosa do possante futebol alemão, o inicio dos anos 70 ficou eternizado para os reis amantes do futebol, como a era do “Futebol Total”, congeminado nos laboratórios de De Meer, mágica casa do Ajax, por um romeno baixinho sempre envolto numa nuvem de fumo tal os cigarros em série que devorava: Stefan Kovacs, seguido depois, em Amesterdão e na selecção holandesa, por outra raposa do banco, Rinus Michels, mas sempre com o mesmo profeta em campo: Johan Cruyff, a personificação do conceito básico do “Futebol Total”: A inteligência em movimento, desenhada através de um carrossel mágico por onde circulava a bola, de pé para pé, num desenho táctico que fazia lembrar as pás de um moinho, procurando sempre jogar pelos flancos. A “Laranja Mecânica” seduziu o mundo, mas, depois, não foi capaz de traduzir em títulos essa paixão.

Após o Mundial-74 pensou-se que o Europeu de 76, que teria como palco final Belgrado, era a grande favorita. Foi a fase final dos prolongamentos. Mais uma vez o futebol de leste superiorizava-se ao resto da Europa, consagrando, desta feita, uma surpreendente Checoslováquia, que para chegar ao título venceu, apenas, as três grandes potências do “Velho Continente: URSS, Holanda e, na final, a RFA. Jezek, o treinador checo não era idolatrado internacionalmente como Kovacs e Michels, mas, em surdina, sabendo que tinha ao seu dispor um naipe de jogadores ao nível dos melhores da Europa, congeminou um mortífero onze, que aliando o rigor táctico de bola ao primeiro toque com a capacidade individual dos seus elementos, conseguiu a simples proeza de estar 22 jogos consecutivos sem perder.

A final do Euro-76, nos cálidos vales de Belgrado, seria o último passo para a glória. Correspondendo aos ditames tácticos da época, também a Checoslováquia formou o seu líbero, Ondrus, menos vistoso que os demais, mas, na hora da verdade, capaz de ombrear com os grandes guias espirituais holandeses e alemães, Krol e Beckenbauer. No final dos 90 minutos da meia final com a Holanda só o seu nome figurava na lista dos marcadores. Apesar disso o jogo terminara 1-1, face á infelicidade do auto golo que levou o jogo para um prolongamento que ficaria para sempre lembrado como a noite em que o “Futebol Total” perdeu a cabeça. Talvez inebriados com os elogios, os holandeses não estavam preparados para encontrar um onze checo tão forte e lutador, acabando por se envolverem em problemas disciplinares, que no apito final se traduziram numa derrota por 3-1, após os golos de Nehoda e Veseli.

1976 V CAMPEONATO DA EUROPA VENCEDOR CHECOSLOVÁQUIANa final, contra a inevitável RFA, os checos, empolgados, entraram confiantes e chegaram a 2-0. No entanto, os alemães, com uma capacidade física impressionante, nunca se desconcentraram, carregaram no acelerador e, com dois golos de Muller, pois claro, chegaram, a cinco minutos do final, ao empate. A decisão, pela primeira vez na história dos Europeus, seria feita através da dramática cerimónia dos penaltys. Para aqueles que atribuem apenas aos ventos da sorte a decisão desses momentos, o último pontapé da marca de grande penalidade desse lendário desempate de 76, ficaria para sempre como a prova de como tal está errado. Com 4-4 no marcador, cabia ao checo Panenka a missão de apontar o derradeiro penalty. Após, no anterior, Hoeness ter rematado por cima da barra, se o checo fizesse golo, o título era da Checoslováquia. Sepp Maier, o gigante das luvas enormes, estava na baliza germânica.

Em passos lentos, meio entroncado, Panenka partiu para a bola mas quando chegou perto dela, em vez de puxar o pé atrás para um remate forte ou em jeito, colocou docilmente o pé por debaixo da bola e com um toque subtil levantou-a para a baliza, onde Maier, hipnotizado com o esse gesto, tombara como um castelo de cartas para o seu lado esquerdo. Cruel, a bola anichou-se no fundo das redes, entrando pelo meio da baliza, perante o desespero incrédulo de Maier que ficaria depois, enquanto os checos faziam a festa, largos minutos deitado com as mãos na cabeça.

O “chapéu” de Panenka, na hora do penalty, ficou para sempre como uma divinal obra de arte futebolística. Ao longo dos tempos, outros craques procuraram repetir o mágico toque. Foram os casos do italiano Vialli e, no presente, do brasileiro Djalminha. Sempre que, com a qualidade dos predestinados, tiraram, com mestria, o chapéu, os reais amantes do futebol, lembraram-se de Panenka. JOGADOR ESTRELA : NEHODA (CHECOSLOVÁQUIA) JOGADOR REVELAÇÃO: PANENKA (CHECOSLOVÁQUIA) GOLEADOR: GIVENS (IRLANDA) 8 GOLOS (Fase final+ Elim.)

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