1980:VI CAMPEONATO DA EUROPA.VENCEDOR: RFA

01 de Junho de 2000

SCHUSTER E A DEFESA EM LINHA

Romanticamente latinos, os italianos vestiram-se a rigor para, no inicio da década de 80, receber a elite da bola Europeia. Ironia do destino, apesar da fama e do proveito de supremos mentores das estratégias defensivas, receberam, na sala de visitas de sua casa, uma lição táctica de como, sem tocar na bola, anular o mais perigoso dos ataques, orientados pelo pequeno feiticeiro belga de olhos cintilantes, Guy This, astuto explorador da chamada defesa em linha, que, no fundo, se traduzia numa eficaz utilização da táctica do fora de jogo, interpretada por uma defesa experiente, que tinha na baliza o guarda redes Pfaff, composta por Gerets, Renquin, Cools, Millecamps e Meeuws, os homens que montavam a ratoeira defensiva que marcou o sistema de jogo da prodigiosa geração belga, liderada pelas passadas largas de Ceulemens, o guia de um grupo onde também moravam o veterano Van Moer, o jovem goleador Vandenbergh, e os incansáveis médios Van der Elst, Vandereyckens, que suprimiram a ausência, por lesão do homem dos golos de fora da área, Ludo Coeck. Tacticamente sábia, cirurgicamente eficaz em colocar os adversários em fora de jogo, a Bélgica foi a grande revelação do Euro-80, abrindo caminho para a gloriosa década do futebol belga.

Para os italianos, o jogo que decidia a passagem para a Final, onde já estava, praticamente sem suar, a gigante a RFA, tornou-se, assim, numa espécie de partida do destino. Durante 90 minutos, Bettega, Grazianni, Antognoni e Causio, a base ofensiva de um onze que Enzo Bearzot começara a formar no Mundial da Argentina em 78, onde deixara boa impressão, embateram no invisível muro belga. No final, o 0-0 garantia a presença da Bélgica na final, após uma poule dramaticamente táctica, onde também esteve a Inglaterra de Keagan e Woodcock, e a Espanha de Quini e Zamora. Apesar de em três jogos não terem sofrido nenhum golo, os italianos acabaram eliminados perante o desespero dos “tifosi”, assustados com a incapacidade azzurrra, orfã de Paolo Rossi, que envolvido no caso Totonero fora suspenso por dois anos, em encontrar o caminho para a baliza. Nos três jogos, só fizeram um golo, por Tardelli, que valeu a vitória frente á Inglaterra, por 1-0.

1980 VI CAMPEONATO DA EUROPA.VENCEDOR RFAQuatro anos depois, a Checoslováquia, onde Josef Venglos ocupara o lugar do mítico Jezeck, apesar de ainda contar com o trio base do título de 76, Ondrus, Panenka e Nhoda, surgia claramente mais desgastada. O novo fôlego dado pelo médio virtuoso Vizek não foram suficientes para, desta vez ultrapassar a poderosa RFA, que surgia totalmente renovada por Jupp Derwal, o novo treinador da Nationalmanschaft, depois do fim da era de Helmut Schon. A sua selecção é que apresenta menor média de idades do torneio. Numa época em que Rummenigue começava a erguer-se como o seu novo grande símbolo, explode outro anjo louro, Schuster, 21 anos, maestro de Colónia, que com uma classe e uma técnica quase arrogantes, aliada a uma constituição física imperial, ameaça tornar-se o novo patrão do futebol germânico.

A década seguinte confirmou a qualidade futebolística de Schuster, mas revelou ao mesmo tempo um carácter indomável, que o levou a praticamente nunca mais vestir a camisola da selecção teutónica, preso em constantes choques de personalidades com os sucessivos treinadores alemães. Encontrou refúgio no futebol espanhol, mas para trás ficou uma grande carreira internacional a nível de selecções. Em boa verdade, nunca pareceu muito agastado com isso, abrindo caminho a outros valores emergentes no sempre forte futebol alemão, do qual o Euro-80 fora uma boa montra. Nos relvados italianos, para além da arte de Rummenigue, brilhou a magia de dois novos grande talentos germânicos, os elegantes Klaus Alofs e Hansy Muller, num onze onde o rigor defensivo era dado pelo líbero Forster, pelo panzer Briegel e por Stielike, o irascível médio que discutia com tudo e todos, desde o árbitro, adversários e colegas até ao vendedor de gelados. No mesmo ano estreava-se com a camisa da Manschaft um jovem de 20 anos que, então revelação do Borussia Monchengladbach de Heyckes, iria atravessar três gerações do futebol germânico: Mathaus, que alinhou nos últimos quinze minutos do jogo com a Holanda.

Numa final que colocou frente a frente, talvez, os dois maiores guarda redes dos anos 80: o alemão Schumacher e o belga Pfaff, a decisão surgiria no último minuto, pela cabeça do protótipo do ponta de lança armário: Hrubesch. JOGADOR ESTRELA: RUMMENIGGE (RFA) JOGADOR REVELAÇÃO: SCHUSTER (RFA) GOLEADOR: KEEGAN (INGLATERRA) 7 GOLOS (Fase Final+Elim.)

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