1984:VII CAMPEONATO DA EUROPA.VENCEDOR: FRANÇA

01 de Junho de 2000

Perante o declínio da Itália e da RFA, finalistas dois anos antes do Mundial-82, o Europeu de frança tinha tudo para ser o da consagração da dourada geração francesa liderada por Michel Platini. Depois de, no verão espanhol, terem, junto com o Brasil, seduzidos s amantes o belo futebol, técnico e ofensivo, a selecção gaulesa não só era a grande favorita como que se apresentava aos olhos da sociedade como esse glamour acrescentado, desenhado desde finais dos anos 70, pelo carismático seleccionador Michel Hidalgo, num muito latino 4-5-1, o sistema reinante no arranque os anos 80. O futebol gaulês, como todo o futebol latino, nunca foi um futebol de pontas-de-lança. O seu design técnico-táctico sempre se apoio num jogo de toque curto e futebol apoiado. Um futebol de médios, como lhe chamaram os críticos, que tinha a sua força no meio campo.

Em 84, o 4-5-1 gaulês foi o refúgio estratégico de um meio campo de luxo, destribuido segundo as características dos seus jogadores e das necessidades da equipa, habitat perfeito de um nº10 como Platini, chefe de orquestra de violinos como Tigana, Giresse e Fernandez, atrás de um pouco mais que modesto avançado centro, Lacombe. Até então, nas seis anteriores edições do Europeu, a única intromissão latina por entre o bloco de leste e a força atlética alemã, havia sido obra da traiçoeira Itália, em 68. O rótulo de defensivo desde há muito colado ao futebol italiano não preenchia, porém, o ego carente do futebol latino, escola de virtudes técnicas, sempre preocupado com a abordagem estética do jogo. Em 84, tal imagem inspirou um jogo solto, de fino recorte técnico, adornado por rasgos de génio só possíveis, no contexto europeu, dentro da escola latina. Junto da belle France, surgiu, por fim, uma sedutora selecção portuguesa num torneio que, antes do tormento de Saltillo, podia ser a última oportunidade de uma geração que, dizia-se, passara ao lado de uma grande carreira internacional.
No fim da linha, não conseguiram chegar a França, históricos como Humberto, Alves e Oliveira, mas, baseando-se na base do FC Porto pedrotiano, que naquele tempo preparava o assalto á Europa, uma tumultuada comissão técnica, conseguiu, também em 4-5-1, formar uma equipa que, com o frasco de veneno do contra-ataque á cintura, cativaram os olhares dfutebol europeu, deslumbrados com a magia de um pequeno géniozinho de bigode farfalhudo, Chalana, e de um ponta de lança, com sangue africano, como nunca mais tivemos, Jordão.

1984 VII CAMPEONATO DA EUROPA.VENCEDOR FRANÇA
Inspirada pelo virtuosismo luso e gaulês, até a furiosa Espanha converteu o seu jogo aguerrido a um aroma técnico, dado pela classe de jogadores como Gallego, Senor, e Julio Alberto, ao lado dos genuínos filhos da fúria, como Victor, Camacho e Gordillo, enquanto que no banco, já estava sentado, com 21 anos, o chico mágico que iria mudar a face do balonpié hispânico: Butragueno. Miguel Munoz, figura mor do grande Real Madrid dos anos 50 e parte dos 60, também adoptou o 4-5-1, que tinha o seu faro goleador no fabuloso Santillana, já em fim de carreira, com 35 anos, á espera da explosão do Buitre. Foi, por fim, um Europeu latino, onde também marcou presença, na primeira fase, a Roménia de Lacatus.

1984 VII CAMPEONATO DA EUROPA.VENCEDOR FRANÇA1O único intruso neste universo latino surgiu através de uma surpreendente selecção da Dinamarca. Como que visionária do cenário que a Lei-bosman criou nas selecções dos países financeiramente menos competitivos quase todas as suas estrelas jogavam fora do Reino. Quando finalmente, a Federação dinamarquesa abriu a porta á utilização dos seus estrangeiros, as estrelas juntaram-se e orientadas por Sepp Piontek formaram o furacão dinamarquês, que na fase de apuramento, afastara, tão somente, a poderosa Inglaterra, vencendo em pleno Wembley, com um golo daquela que, até essa data, era sua única grande figura internacional, Alan Simonsen, que fizera carreira no Barcelona e no Borussia Mon`gladbach. Quando, azarado, fracturou a perna aos 30 minutos do jogo inaugural com a França, muitos se apressaram a condenar a Dinamarca, mas num ápice emergiram talentos como Arnensen, Marten Olsen, e, acima de todos, o jovem mago do drible Laudrup, que parecia correr com a bola atada com uma corda ao pé esquerdo, e o possante avançado goleador Eljkaer Larsen.

Na retina de todos os adeptos lusos ainda permanecem os dramáticos seis minutos finais do prolongamento com a França, na meia-final. 18 anos depois dos Magriços, o mundo da bola voltava a olhar para nós... JOGADOR ESTRELA: PLATINI (FRANÇA) JOGADOR REVELAÇÃO: CHALANA (PORTUGAL) GOLEADOR: PLATINI (FRANÇA) 9 GOLOS (Fase Final+Elim.)

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