A “Central Nuclear Verde”

08 de Dezembro de 2016

A Liga dos Campeões fala a verdade da dimensão internacional das equipas e sua personalidade, mesmo que em diferentes níveis. Benfica e FC Porto saltaram para as Champions percebendo as suas limitações. O Sporting caiu até da Liga Europa expondo, no último jogo, as suas limitações no gelo.

Jesus jogou a sua “Champions particular” contra Real Madrid e B. Dortmund, quando montou estrategicamente a equipa em face do indiscutível superior valor do adversário e conseguiu discutir taticamente todos esses jogos. Perdeu mas fez a Europa olhar para o banco leonino. Quando chegou o momento de mais do que ele, ser a equipa verdadeiramente a jogar a Champions que tinha de ganhar (frente a um Légia “ensurdecedor” pelo ambiente que cria em campo mas de segunda linha europeia) colocou-a num território de estratégia táctica tão árido e estranho que ela perdeu todas as referências de base que criara em época e meia.

Se o sistema de três centrais podia ser um “golpe táctico” interessante em Dortmund (para defrontar um gigante), pareceu logo desde o inicio um desvio conceptual de risco em Varsóvia, sobretudo quando nessa equação entrava Bruno César a fazer a faixa direita. E escrevi “fazer” porque é impossível vestir-lhe a “pele” de lateral-direito mesmo que, no sistema, ele surgisse como tal.

Tenho elogiado muito Bruno César esta época como a melhor solução para o Sporting em termos de ocupação da zona central da segunda linha do meio-campo atrás do ponta-de-lança (pode então ser terceiro médio, ou segundo avançado, ou fazendo trocas posicionais com o extremo, também cair na faixa). Perante uma evidência táctica destas (vista contra FC Porto e Real, por exemplo) o que pode levar Jesus a ver nele a solução para lateral-direito?

Não tinha João Pereira, nem Schelotto, mas podia adaptar um central (pensou-se isso de Paulo Oliveira) deixando-o mais posicional (defesa-esquerdo em vez de lateral-esquerdo) ou, como fez, ao  minuto 58, lançar Esgaio, a opção de raiz disponível.

Esse foi, em rigor, o momento do jogo: quando Jesus, num gesto/substituição, reconhece que as “salas de invenções” no futebol podem ter um lado estratégico chave para fazer um treinador num jogo grande, mas que, no sentido inverso, podem ter um lado lunar para expor as suas debilidades (vindas de, com o derby em cima, ter de pensar “dois jogos ao mesmo tempo”, do ego ou de simples visão táctica). Não faz sentido.

A equipa tem uma forma de jogar, criada e solidificada no seu modelo de jogo desde o inicio da época, e é com essa que tem de encarar um jogo destes em que tem de impor a sua superioridade frente a um adversário fora da “casa dos monstros” que defrontara anteriormente.