4-2-3-1 deve seguir dominando futebol brasileiro

24 de Junho de 2012

4-2-3-1 deve seguir dominando futebol brasileiro

A Copa do Mundo na África do Sul em 2010 consolidou o domínio mundial do 4-2-3-1. Espanha, Holanda e Alemanha, as três primeiras colocadas, trabalharam (e ainda trabalham) com este desenho tático. Assim como o Internacional de Celso Roth que faturou a Libertadores do mesmo ano. No ano passado, o Corinthians de Tite terminou de popularizar o sistema que é confundido com o 4-3-3 desde os tempos de Mano Menezes, que também prioriza o esquema na seleção brasileira.

Qual é a diferença? No 4-3-3, os ponteiros normalmente atuam mais espetados e trabalham menos com os meio-campistas. Até colaboram na marcação aos laterais adversários, mas ficam na intermediária para puxar os contragolpes. O Vasco, com Eder Luis e Diego Souza, ambos ex-Benfica, nas pontas, é o melhor exemplar do país. Ainda que o ponta direita volte bastante para ajudar no combate e equilibrar o sistema defensivo garantido pelo fantástico zagueiro Dedé, mas exposto pela volta do veterano Felipe à lateral-esquerda.

4-2-3-1 deve seguir dominando futebol brasileiroVasco no 4-3-3 que protege Felipe e libera Diego Souza pela esquerda com Eder Luís voltando à direita.

Já no 4-2-3-1 um ou até os dois jogadores que atuam pelos flancos podem ser meias, trabalhando na articulação com o meia centralizado municiando o atacante único, mais fixo na frente. Alguns treinadores preferem trabalhar com jogadores com pés "invertidos": o canhoto pela direita e o destro pela esquerda, como D'Alessandro e Taison no Inter 2010 - e o Real Madrid de José Mourinho com Di María e Cristiano Ronaldo. A intenção é procurar as diagonais para concluir. A vantagem do 4-2-3-1 é que, em tese, o time defende com nove homens e chega com quatro na área adversária.

Uma concepção mais alinhada com o futebol moderno e ofensivo.

4-2-3-1 deve seguir dominando futebol brasileiroO Inter campeão sul-americano em 2010 trabalhava no 4-2-3-1 com D’Alessandro e Taison, meias pelos lados com pés “invertidos”.

Na Série A do Campeonato Brasileiro, pelo menos onze dos vinte times utilizam o 4-2-3-1 com frequência. Os quatro grandes de São Paulo, Ponte Preta, Fluminense, Botafogo, Internacional, Atlético-MG, Coritiba e Bahia. O Santos de Muricy Ramalho é o que trabalha da forma mais particular. O desenho é "torto" ou assimétrico, com Elano bem recuado à direita, quase alinhado aos volantes, e Neymar avançado do lado oposto, praticamente um parceiro do centroavante. Padrão bem semelhante ao utilizado por Dunga na seleção brasileira com o mesmo Elano e Robinho na frente.

 

4-2-3-1 deve seguir dominando futebol brasileiroSantos de Muricy no 4-2-3-1 “torto”: Elano mais contido pela direita e Neymar espetado do lado oposto.

A melhor e mais moderna execução, porém, é a do Corinthians, Tite ora utiliza um meia aberto, normalmente o canhoto Danilo pela direita, ora posiciona dois jogadores mais agudos, quase atacantes, como Willian, Jorge Henrique ou Emerson, para acelerar os contragolpes e Alex como uma espécie de “falso nove” recuando para armar e abrir espaços. O trio de meias e o atacante promovem intensa movimentação confundindo a marcação. Sem a bola, o time pressiona a saída de bola do oponente e todos participam da recomposição defensiva.

 

4-2-3-1 deve seguir dominando futebol brasileiroCorinthians de Tite: melhor e mais moderna execução do 4-2-3-1 no Brasil.

A tática é apenas um dos fatores que decidem um jogo ou o campeonato. Mas escolher o melhor sistema pode ser o primeiro passo para levar vantagem em um cenário saturado de equilíbrio. No Brasil, o 4-2-3-1 está cada vez mais assimilado. Chegou para ficar e deve seguir dominando.

 

 

André Rocha é jornalista e escreve o blogue Olho Tático da GloboEsporte.