A “ALDEIA GAULESA”: PSG-MÓNACO

06 de Agosto de 2014

São as duas grandes construções milionárias do futebol francês da era moderna. A nova “aldeia gaulesa” sem Asterix. O PSG com turbante árabe e o Mónaco da oligarquia de leste. Muitos milhões e, descendo à relva, uma bola e duas equipas.

Na tentativa de conciliar jogadores-sistema, Ranieri já passou taticamente por vários sistemas na construção do seu Mónaco. Começou em 4x2x3x1, passou pelo 4x4x2 clássico e, por fim, estabilizou na versão losango. Pelo meio, nessas variações, a importância de James foi evoluindo até se fixar hoje como o nº10, vértice ofensivo do 4x4x2 losango, no qual Moutinho descaí muitas vezes sobre a meia-direita, ficando Toulalan a pivot, nº6.

Na outra ala do losango, pode jogar, na versão mais conservadora do sistema, Obbadi ou Kondogbia. Como são médios de contenção, tal permite a Moutinho ser mais vagabundo vindo pegar a bola no centro, trocando posicionalmente com James que então se esconder na direita donde gosta de arrancar em diagonais).

Na versão mais ofensiva do sistema, entram Ocampos ou Ferreira Carrasco, avançados puros, jogam mais abertos, em largura, quase como extremos. Na frente, após a lesão de Falcão, a dupla atacante é Rivière-Germain (agora com a opção Berbatov). Este nunca fora, no entanto, o sistema onde Falcão respirava melhor, pois é mais um nº9 predador de desmarcação sem depender donde está o outro avançado (como no 4x2x3x1 ou 4x3x3).

Noutro ponto de evolução, o PSG de Blanc é hoje um onze mais sólido em relação ao tempo de Ancelotti. Construído com base no 4x3x3, separa bem os sectores meio-campo e ataque (no sentido de distinguir médios e avançados) sem nunca perder, no entanto, a ligação entre eles, algo que sucedia no passado, quando parecia que tudo que era defensivo no jogo da equipa dependia do treinador, enquanto tudo que era ofensivo dependia dos... jogadores.

Hoje, assente num trio de cobertura tacticamente muito forte, com Thiago Motta pivot e Matuidi-Verrati (ou Cabaye, contratado agora ao Newcastle) tem o meio-campo sempre controlado atrás da linha da bola. Na frente, com Ibrahimovic à solta no centro, pode optar ente a verticalização de Lucas ou Lavezzi (que também fazem diagonais) ou a maior temporização em posse de Pastore, hoje, mais adaptado ao futebol francês, já capaz de meter maior velocidade em relação ao tempo em que, chegado da Argentina, caminhava pelo relvado quase como a “pantera-cor-de-rosa”.

Nos jogos com o PSG, Ranieri já utilizou os dois sistemas. Na primeira volta, em Paris (em 4x2x3x1, com o duplo pivot Obbadi-Kondogbia, Moutinho a 10, Ocampos-Ferreira extremos) e na jornada passada, no Mónaco (em 4x4x2 losango, com Ocampos à esquerda, mas substituído ao intervalo por Kondogbia para equilibrar a equipa).

Empatou os dois jogos (1-1) mas a diferença de solidez entre as duas equipas notou-se, desde logo, no duelo à distância entre Toulalan e Thiago Motta. Ambos tocam muitas bolas, mas Thiago é mais influente pois assume claramente o comando de jogo desde trás. Do outro lado, a saída de bola do Mónaco é mais indefinida. A ideia que fica é que Toulalan e Moutinho pensam a mesma coisa (inicio de construção) mas em locais diferentes, o que trava a dinâmica das transições da equipa.

A capacidade de perceber e decidir são os factores mais importantes dentro do ciclo de vida da táctica em campo. É onde o PSG, “formato-Champions”, cresceu muito esta época. Cada situação de jogo pode ter diferentes respostas mas há sempre um ponto onde, em caso de dúvida, regressa para voltar a começar tudo de novo: é o trio de “aço tático” do meio-campo.

psg-monaco

DESTAQUE:
A maior sensação de poder é dada pelo meio-campo do PSG: Motta-Matuidi-Verrati (ou Cabeye)