A Anarquia do Talento

14 de Novembro de 2016

É a seleção mais perturbante em termos de relação entre o talento e o seu aproveitamento: a Sérvia. Vejo-os jogar contra Gales (que faz de cada ataque uma epopeia) e penso como seria possível domar aqueles talentos. Esse lado conflituoso do talento salta quando vejo mover-se o trio atacante: Tadic-Kostic desde as faixas parecem “fotocópia de rebeldia”. Cada um joga o seu jogo partícular quando tem a bola, inventam diagonais, procuram tabelas mas é impossível detectar princípios de movimentação interligados entre eles (com Matic a vir desde trás e os laterais Rukaniva-Obradovic a subir). A nº9, um craque que quer lutar contra o mundo antes de lutar contra os centrais. Tem tudo para ser dos melhores pontas-de-lança da Europa. Mitrovic, 22 anos (continua no Newcastle na II Divisão inglesa). Perto do fim, no meio desta anarquia de talento em movimento, faz um fabuloso golo de cabeça, daqueles em que é preciso combinar contorcionismo com execução técnica (com um defesa em cima). Empataram e foi a única vez, sinceramente, que vi a equipa unida. E já não estava em campo. Estava enlouquecida, todos aos saltos, abraçados junto ao banco.