A cabeça, as pernas e seus efeitos no jogo

18 de Abril de 2016

Catorze segundos pode ser muito tempo na vida de uma equipa. Quim Machado “descera taticamente á terra” e montara um sistema diferente (“com mais cautelas”, como definiu) para enfrentar o poder ofensivo benfiquista. O golo que marcou quase ainda no caminho do túnel para o relvado (com Gorupec a fugir e André Claro a rematar com a precisão que sabe) deu-lhe mais razões para colocar “cimento” em cima do inovador sistema de defesa a “5” que montou. Colocou-se atrás e tentou suster a avalanche encarnada.

Nessa altura, o desafio que se colocava ao Benfica relacionava questões emocionais (subir a ansiedade se a desvantagem se prolongasse no tempo) e física (se nessa busca se fizesse sentir o desgaste de vir de muitos jogos nos últimos tempos). A forma como rapidamente cresceu para cima da trincheira verde não deixou dúvidas sobre o que é hoje o jogo (na cabeça e nos pés) para os jogadores do Benfica mesmo que ele não esteja a correr bem. Nunca o sente como uma ameaça. Vira-se no Bessa, Coimbra e agora na própria Luz. E em pouco tempo o “céu encarnado” caiu em cima da cabeça da defesa sadina.

Depois de uma primeira parte de “tempestade”, a segunda é quase sempre de “estranha calma”. Dar a volta ao resultado daquela forma tão emocional (e a alta velocidade) tem muitas vezes o efeito seguinte de baixar os níveis de intensidade de jogo a equipa. E deixa a outra equipa voltar ao jogo. E foi o que sucedeu. O Vitória resgatou os princípios ofensivos e esticou-se na frente.

A última meia-hora tornou-se num teste ao poder benfiquista de controlo do desgaste físico que o jogo (junto com todos outros nesta fase da época) lhe provocava. Queria ter a bola mas a cabeça (não os pés) já não a segurava. Fadiga tática pura. O último lance foi a imagem perfeita desse tipo de cansaço quando um passe atrasado de Pizzi quase deu o empate.
O físico (a mente e as pernas) e seus efeitos no jogo.