A capacidade de sedução tem várias faces

22 de Fevereiro de 2016

Teo Gutierrez nunca foi, em nenhum local ou clube por onde passou, aquele tipo de jogador de quem se gosta logo à primeira. Aliás, se repararem bem, o perfil tipo do jogador colombiano é um pouco este, aquele que não cativa o adepto pelo lado emocionalmente mais fácil, o do esforço puro. É, antes, o tipo do jogador que gosta de cativar aos poucos á custa de toques na bola, recepções, passes, remates, mesmo que tudo seja feito de forma por vezes até excessivamente dengosa. O poder de sedução é então ativado quando esse estilo passa a ter eficácia de jogo e baliza no fim de tudo.
Gutierrez entrou num Sporting que já tinha um nº9 titular daqueles por quem os adeptos dão a vida, Slimani. O oposto do perfil Gutierrez, Enquanto que Slimani luta por todas as bolas e ganha até as impossíveis. Teo parece ignorar algumas que lhe passam á frente, das que todos acham possíveis de apanhar. Nada é, claro, assim tão linear.

Este jogo com o Boavista, num período em que o processo de adaptação da “fábula do patinho feio” a Gutierrez se encontrava em andamento, colocou os dois jogadores em espaços próximos, no centro do ataque o Sporting.
O perfil de jogador nos traços táctico-técnicos que a fórmula-Jesus necessita para aquele lugar é, no entanto, diferente do de Gutierrez que pensa como avançado quando está, por força deste sistema, num espaço em que não o pode ser da forma finalizadora como gosta. Tem de ser forma mais construtora. Por isso rende menos (até porque nem tem o poder de recepção de bola de Montero). Por isso, quem rende mais nesse espaço, mesmo indo buscar e pegar (na bola e no jogo) em largura, é Ruiz.
Porque é o jogador mais “anfíbio” de todos. Tanto joga dentro como fora de água. E, se virem bem, também não cativa pelo esforço puro. Cativa pela forma como toca na bola e passa. Sedução pura que não necessita que lhe ensinem nada.