A Cratera do “Jogo Partido”

10 de Abril de 2017

É um fenómeno que muitas vezes se descobre quase como se, nesse momento, se abrisse uma imaginária (ou não) cratera no relvado. É o fenómeno do “jogo partido”. Fala-se quando se nota um descontrolo por parte das equipas se equilibrarem a defender e atacar. O jogo não se “parte”, porém, por um desses extremos do campo, junto ás áreas. O jogo “parte-se” pelo meio. Partem-se os posicionamentos táctico mais racionais.

O epicentro táctico desse fenómeno é sempre o meio-campo. O “jogo partido” é, no fundo, um “jogo... descontrolado”. Há uma equipa que começa por o perder e a outra passa a entrar nele.

É o momento do treinador voltar a colocar “cola” no jogo para unir as pontas (sectores). Passa quase sempre por meter mais um médio, ou reformular os posicionamentos no sector intermediário. Curiosamente, porém, o fenómeno de “jogo partido” pode interessar a um dos lados que nesse momento descobre espaços que com a organização mútua em funcionamento não descobriria.

Assim, mal o Benfica caiu nessa cratera do “jogo partido”, o Moreirense (meio-campo) saltou por cima dele rapidamente e com avançados a voar na frente (Boateng e Dramé) surgia embalado na área face à falta de marcação do meio-campo encarnado partido (sem conseguir unir os diferentes sectores).

Rui Vitória demorou muito a perceber este estado táctico do jogo. Sucederam-se as jogadas: Lindelof sobre a linha, Ederson rápido a sair e até Neto a falhar de baliza aberta. Só isso lhe permitiu sobreviver durante essa longa meia-hora de “jogo partido” até entrar Samaris (saindo Jonas, um craque mas totalmente desgastado e inoperacional tacticamente). Num ápice, o jogo voltou a “colar-se”.

Antes Rui Vitória já fizera as substituições habituais: troca jogadores sem mexer no jogo. É a tradicional troca de extremos (neste caso, Rafa-Salvio por Cervi-Zivkovic). Apenas mexe nos jogadores (isto é, nos donos das posições nas faixas procurando nova inspiração de quem é entra) mas não mexe no que, naquele momento, é mais urgente: a forma de jogar e posicionar-se da equipa em campo.

Nesta fase, após uma época de lesões e fora de ritmo, Jonas, esgotado, não consegue fazer a conexão ataque/meio-campo deixando assim essa zona de ligação entrelinhas... partida. Nem Pizzi pode subir no terreno para a tentar “colar” porque iria desproteger mais as suas costas, onde Fejsa reentrou para pivot mas num ritmo muito baixo. Ou seja, durante meia-hora o Benfica jogou sem meio-campo e mesmo assim ganhou o jogo.

O Moreirense de Petit subiu a intensidade física da bola dividida a meio-campo, pressionou, criou oportunidades, mas faltou-lhe o ultimo elo de ligação jogo-golo. Em resumo: teve o jogo... faltou-lhe o golo.