A “emboscada” da técnica

19 de Dezembro de 2011

A “emboscada” da técnica

Qual a origem mais fiel do bom futebol? Uma pergunta que, na existência humana, parece equivaler à descoberta do elixir da juventude. A técnica e o futebol apoiado, emoldurado em equilíbrio táctico (independentemente do sistema utilizado) pode ser uma boa resposta. Acho mesmo que é a melhor. Na Europa, como noutra parte do mundo. Pensei muito nisso vendo essa raiz de bom futebol demonstrado pelo Universidade do Chile nos jogos da Final da Copa Sud-Americana (segundo Torneio daAmérica do Sul após a Libertadores). Há muito que este belo fútbol made in Chile merecia um titulo. Ele ai está. Congeminado, no estilo, pelo sábio Sampaoli, treinador argentino, 51 anos, que fez carreira no Peru.

Há quem logo compare ao estilo do Barcelona. Chamam-lhe o tiki-taka sul-americano. Um exagero, mas há momentos, de facto, em que isso salta á mente. Por isso, aconselho todos que desconfiam do transfer de estilos de jogo, sobretudo o do Barça, para verem jogar este U.Chile e perceberem como afinal isso é mesmo possível, desde que, claro, adaptado/moldado às circunstâncias especificas de cada realidade, jogadores/colectivo. É a importância do estilo como filosofia, supra-inspiração futebolística para o jogar em concreto.

A equipa estrutura-se em 3x5x2, mas não são três defesas, são três centrais mesmo (O. Gonzalez, M. Gonzalez e Rojas) e laterais ofensivos (Rodriguez-Mena) que também fecham numa defesa a «5» quando é necessário. O melhor perfume de técnica, toque, passe, desmarcação e remate, está, porém, entre meio-campo e ataque. Vale a pena fixar este núcleo de jogadores:

A “emboscada” da técnicaA principal nuance nasce das características do pivot central. Para fechar mais na posição, joga Acevedo (sucedeu na 1ªmão), para promover mais a saída de bola, joga Diaz, que surgiu a 2ª mão (após ter sido segundo-volante na primeira) soltando Castro, médio rompedor desde trás na meia esquerda. Fez, assim, um triângulo a meio-campo, onde Aranguiz, 22 anos, se destaca pela boa visão de jogo. É um arquitecto do passe, nas costas de uma sedutora dupla de ataque. Vargas (vejam o Observando as estrelas) e Canales (mais presente entre os centrais, move-se em espaços mais curtos).

Venceu na Final (0-1 e 3-0, a duas mãos) o LDU de Quito, um onze que prova a maturidade do futebol equatoriano, agora algo preso na evolução que vinha demonstrando. Terá a ver com a qualidade dos jogadores. Não surgem novos talentos. Neste LDU, surgem ainda o veterano argentino E. Gonzalez a médio organizador e o argentino El Pirata Barcos como avançado mais perigoso, enquanto se espera a confirmação do talento de Bolaños.

Numa altura em que todas as equipas procuram ganhar a partir de um futebol cada vez mais mecanizado, ver um onze, fora da grande elite, a jogar com tudo no seu lugar táctico e medida técnica certa, faz ter a certeza que a base do melhor sucesso está na fidelidade a um estilo: futebol colectivo com técnica!