A “firma” de Klopp

15 de Março de 2012

A “firma” de Klopp

O seu nome nunca aparece quando se fala em treinadores de referência no actual futebol internacional mas cada vez mais penso que é imperioso descobrir o que pode estar por trás deste homem que, ora de sobrolho carregado a gritar com os jogadores, ora a sorrir e saltando de alegria, está a dominar os novos bancos do futebol germânico. É Jurgen Klopp, o inventor do renovado Borussia Dortmund, cada vez mais perto da reconquista da Bundesliga.

Klopp tem apenas 44 anos e nunca foi jogador famoso. Para além de clubes secundários, andou longos tempos no Mainz, quase anónimo, onde começou a treinar, até ingressar, há quatro anos, no Dortmund que recriou desde as bases em termos de estilo de jogo.

Quando se pensa na sua equipa, a primeira imagem está no poder criativo dos médios-ofensivos (o japonês Kagawa e o alemão mais brasileiro de sempre pelo estilo fantasista com que joga, Gotze) apoiando um belo ponta-de-lança que sabe tanto estar fixo entre os centrais como desmarcar-se em busca de espaços vazios, o polaco Lewandovski (outra opção é o paraguaio Barrios). Depois, tem alas verticais em permanente movimento (Blaszczykowski, o Kuba, outro polaco) e Grosskreutz (na esquerda) onde também pode aparecer o croata Perisic, mais rematador. É, porém, uma imagem que ilude onde está a base do sucesso da equipa, que tem um comportamento pressionante mal perde a bola. Por isso, quando perguntam a Klopp qual o aspecto mais importante no jogo da equipa, ele diz logo: as recuperações de bola!
Uma ideia/sensibilidade táctico-técnica para o jogo que faz a diferença num futebol alemão que continua muito pesado nas transições defensivas e que continua entender muito os sistemas de marcação de forma individual. Klopp monta a equipa à zona e com isso faz a diferença no pensamento futebolístico germânico.

A “firma” de KloppOutro caso notável de evolução de pensamento táctico sem bola, trabalhando todo o processo defensivo desde a base, mudando hábitos de marcação, sucede no Borussia Monchengladbach, hoje das equipas mais compactas da Bundesliga na transição-organização defensiva. A obra é do treinador suíço Lucien Favre que de uma época para outra tornou a defesa mais batida do campeonato (60 golos sofridos) numa das melhores (apenas 15 golos até à 24ª jornada) mantendo os mesmos jogadores na linha defensiva: Jantschke-Strabzl-Dante-Daems. Para isso, reformulou a forma como defende a meio-campo.

Em termos de sistemas, ambos montam um 4x2x3x1. O duplo-pivot de Dortmund (Khel-Bander ou Gundogan). O do Monchengladbach Neustadter-Nordveit. Olhando a táctica dos principais onzes germânicos, selecção incluída, conclui-se que é a partir desta posição/espaço (a casa dos nº6 que são visitados pelos nº8) que eles podem crescer tacticamente. Só assim podem unir melhor os diferentes momentos de jogo (ataque-defesa-transições) sem perder rotatividade, hoje superior a atacar do que a defender (recuperar).