A “fórmula-Cocu” foi a única que travou a de Simeone

22 de Maio de 2016

No panorama internacional, houve uma equipa que poucos exaltaram, até por viver num campeonato dito de segunda linha, mas que foi das maiores revelações (ou confirmações) táticas da época: o PSV de Cocu. Nem é, claro, por ganhar a Liga holandesa, mas sim pela forma como marca contaste com o lado tradicionalmente “ight” do futebol holandês.
Este PSV de Cocu é o oposto de tudo isso, desde logo pela intensidade táctica, rotativa, pressão e saída do seu meio-campo. Para se perceber melhor do que estou a falar, basta recordar os dois jogos que fez nos oitavos-final da Champions, com o combativamente idolatrado At Madrid. Foi a equipa com que Simeone teve mais dificuldade em lidar (só passou nos penaltys, após um confronto titânico em Madrid), porque lhe deu a provar muito do seu veneno táctico.

Jogava basicamente no 4x3x3 holandês em termos de estrutura, mas no modelo de jogo (e, sobretudo, expressão competitiva de jogo), tinha um meio-campo de “cara fechada”, com Guardado reciclado para ser muitas vezes pivot, ou um 8 de transição (deixando de ser o mero ala que... joga bem), embora muitas vezes fosse Propper (como cresce este médio!) a pegar nessa posição de inicio de construção (com técnica) e ao mesmo tempo de equilíbrio atrás da linha da bola. Em embrião, a crescer tacticamente como médio de futuro, Hendrix, 21 anos, ficando apenas no ar a dúvida do que poderá ser mesmo Maher (craque com bola) como jogador nesse futuro.

Cocu tem mestrado no futebol espanhol desde os tempos do Barcelona, mas também soube beber conhecimento noutras ideologias de futebol mais “rochosas” (sem perder a sua base apoiada laranja). É um dos treinadores mais multiculturais que conheço no atual cenário do futebol internacional. Para pegar em qualquer equipa num campeonato mais competitivo. Tem uma ideia e outras satélites, que se adaptam estrategicamente a diferentes realidades.