A Gestão e a Aceleração

30 de Março de 2018

A luta pelo titulo na rota final (recta e curvas) com um clássico e um derby pelo meio. Será o titulo decido nesses dois jogos? Talvez, mas para isso foi necessário antes o “outro campeonato dos pequenos” furar entre os grandes. A derrota do FC Porto nos 40 minutos de Paços marca este momento porque pode tornar o clássico da Luz numa final no sentido de poder inverter a classificação, o que não acontecia antes. Veremos até lá.

O FC Porto tem sido, indiscutivelmente, a equipa que tem jogado melhor mais vezes e durante maior período de tempo ao longo da época. A equipa é hoje uma projeção competitiva e de jogo que se reconhece desde o jogo inaugural. Sérgio Conceição definiu um modelo, um sistema preferencial, foi aperfeiçoando princípios, criou variantes (outro sistema, 4x3x3, e subprincípios) e chega a esta fase na optimização do estilo de jogo. Desta forma mais do que com o jogo, a preocupação de Sérgio Conceição estará nos... jogadores. Em não “partir fisicamente” nenhum deles (gestão de esforço cirúrgica) tal a alta intensidade com que sempre jogaram (em todas as provas) e o desgaste com que chegam a esta fase.

A forma vertiginosa da equipa atacar torna todo esse processo mais cirúrgico no atual “FC Porto sem Marega”. Quem diria que este jogador (hoje, lesionado, talvez o que mais falta faz) há um ano quase renegado, se tornaria num elemento-chave da equipa? A resposta: diria o modelo/estilo de jogo que Sérgio Conceição criou, onde um jogador antes dito vulgar se tornou indispensável pela exploração máxima suas características fortes. Simples.

 

O Benfica teve um processo de construção de modelo de jogo mais sinuoso. Ou melhor, “dois processos”, porque a passagem do 4x4x2 para o 4x3x3 obrigou a mexer no modelo, mudando muitos princípios de jogo da equipa. Demorou a afinar e agora (mesmo com lesões) atingiu nesta fase o ponto máximo do seu nível exibicional. Seja como for, ao contrário do FC Porto, Rui Vitória terá ainda mais de se preocupar com o... jogo do que com os jogadores.

No nível táctico-individual, a inteligência de Jonas pega na equipa em qualquer ponto do jogo (e do relvado) a nível de passe ou remate (golo). Resgata-a e cola o sistema nos momentos mais difíceis. Rafa, fresco-renascido, deu um novo impulso atacante decisivo.

O modelo de jogo evoluiu/transformou-se e hoje a sua gestão física (com menos jogos na época) é menos delicada. Quer ser campeão mesmo sabendo que não foi quem jogou melhor durante mais tempo, mas sim aparecendo na sua melhor forma (táctico-física) na ponta final.

Será possível quem não foi melhor durante a maior parte da época acabar por chegar na frente? O futebol tem desígnios insondáveis.