A “Impressão Digital”

21 de Novembro de 2016

Quando se contrata um treinador, contrata-se um modelo de jogo. Esta é uma tese que defendo há muito, porque cada treinador tem de ter uma ideia de jogo que o identifique. Claro que, depois, terá de a adaptar aos meios (clube/jogadores) de que dispõe, mas antes tem de existir uma ideia-macro que o defina. Há treinadores que optam por uma postura mais “gelatinosa” e dizem mudar de modelo conforme a equipa e jogadores (quando deviam é mudar o seu processo de construção e a incidência no momento de jogo em que serão, naturalmente, mais obrigados a jogar).

Jorge Simão tem o mérito de ser hoje um treinador com um modelo bem definido (vejo este seu Chaves e vejo muito do seu anterior Paços) e isso é o maior elogio que lhe posso fazer. Pode-se gostar mais ou menos (das linhas mais baixas em organização, transições a um-dois toques ou em condução individual e esticar logo o jogo) mas tem de se elogiar a coerência e a competência da construção da ideia. Este Chaves joga (ganha ou perde) assim. Num clube maior, poderá dar passos em frente, mas isso são questões tácticas, não de modelo.