A Inversão dos Valores

29 de Janeiro de 2018

O Sporting venceu a Taça da Liga e pode encontrar neste titulo um impulso para o resto da época. Para isso, porém, será decisivo analisar cada um destes dois jogos e perceber como, apesar do triunfo na técnica e força mental dos penaltis, em ambos a equipa esteve longe de produzir o melhor futebol de que é capaz. Só fazendo essa autoanálise para além da euforia dos egos, este titulo pode ser a alavanca dos próximos.

Cabe a Jesus baixar esse entusiasmo, devolver a equipa à terra e fazê-la crescer a partir do assumir dos problemas de jogo que revelou contra dois adversários que exigiram níveis tácticos exibicionais muito diferentes.

Analisando o jogo com o V. Setúbal, Jesus tocou no ponto certo ao falar de que a bola não chegava a Montero e Dost porque o problema estava antes na zona de construção onde a equipa (alguns jogadores) deveriam ter estado melhor.

Sem dúvida, e isso também já se a notara contra o FC Porto, embora de forma diferente, no mesmo espaço, o jogo interior, em que sentiu dificuldade para ter o controlo quer de recuperação (ganhar segundas bolas) quer de construção desde trás (este problema visto mais frente ao V. Setúbal com a zona de cobertura defensiva muito forte nessa zona). Por isso, nos dois jogos, Battaglia foi protagonista no centro táctico do jogo sendo ele um elemento essencialmente físico de pressão, recuperação (bolas divididas, primeiras e... segundas) e “condução queima-linhas” individual.

 

Apesar do seu valor, quando um jogador das características de Battaglia se torna protagonista táctico do onze é porque algo mais importante para uma equipa grande, que deve ter a personalidade de construir com qualidade táctico-técnica em posse no centro desde trás (relacionando espaço 8 e 10 entrelinhas), está a falhar.

Dessa forma, foi natural Bruno Fernandes descair para a direita e fazer a equipa jogar melhor porque lhe deu a largura que faltava (para além da boa relação faixa-zona interior). Ver, porém, um jogador como Bruno Fernandes ser elogiado por ter “dado largura” quando a sua influência deve ser fazer jogar a equipa com autoridade táctico-técnica no centro (em vez da dimensão física de Battaglia) é porque algo falhou no processo de jogo da equipa (quer contra FC Porto e V. Setúbal, mas por razões diferentes, porque são adversários de nível distinto).

Claro que a falta de Gelson retirou velocidade criativa nos últimos 30 metros, mas a questão táctica é mais profunda e nela também entra Rúben Ribeiro na equação que é necessário descobrir para o conciliar com Bruno Fernandes sem retirar este do centro de influência (relação “espaço 8-10” com ultimo passe e remate).