A jogar desde o guarda-redes variando sistemas

01 de Maio de 2016

O futebol brasileiro tem de fazer uma reciclagem tática, mas seguindo os seus Estaduais, há equipas que conseguem abanar o cenário.
O Audax Osasco, no Paulista, é um desses casos. Vendo o jogo com o São Paulo (ganhou 4-1 nos quartos-final) fiquei admirado com o seu jogo apoiado, circulando a bola por todo o campo, até aos limites do risco pois a bola nessa circulação vinha muita vezes ter aos pés do guarda-redes Felipe Alves para este jogar com os pés, variando também o flanco do jogo como um se fosse um líbero. Chegou a fintar avançados do São Paulo, mas com o consentimento do jovem treinador Fernando Diniz, o homem que inventou esta equipa e forma de jogar, onde o guarda-redes é responsável pela saída de bola.
Um estilo que tem tornado este Audax numa atração do Paulistão 2016, onde o médios Camacho e Juninho fazem a principal elaboração de jogo que tem na frente um avançado, Ytalo, que passou pelo Marítimo. Vale a pena seguir o seu próximo jogo (Conrinthians, meia-final) para conferir esta provocadora ideia de jogo que confunde o futebol brasileiro.

murucy

Entre os grandes, no Estadual Carioca, Muricy Ramalho renasceu no Flamengo e vai jogar as meias-finais (com o Vasco da Gama). Nessa trajetória, Marcelo Cirino acordo outra vez para o seu bom futebol. Viu-se no último jogo contra o Bangu (3-0) salvando a “pele” da equipa. Muricy insiste que o segredo do sucesso táctico é mudar o sistema várias vezes. De 4x3x3 para 4x4x2 para os adversários nunca o conhecerem na totalidade. Com a técnica de Alan Patrick e a agressividade de Mancuello ganha consistência atrás de Cirino (saiu Emerson Sheik, 37 anos) mas o avançado para quem todos olham, é sempre o peruano Guerrero. A sua classe/qualidade salta à vista mas esta sua opção pelo futebol brasileiro quase “adormece” o seu melhor futebol. Acho incrível a Europa não apostar num nº9 destes.