A Mente do Arouca

02 de Março de 2017

O Arouca é a equipa mais imprevisível de ver na última jornada a lutar pela permanência. Após um ciclo difícil, tinha estabilizado no jogo e tabela. A saída de Lito Vidigal criou uma espécie de “buraco negro” porque, para além da sua identificação com o clube, tinha uma forma de liderar, jogar e treinar muito específica. Mais do que nas táticas, Manuel Machado provocou um choque metodológico tão forte a nível de hábitos (de treino e relacionamento) nos jogadores que funcionou como uma espécie de “descompressão” que se traduziu num baixar de intensidade no jogo e perda de pontos que a levou ser “sugada” para a zona de perigo. Jorge Leitão procurou como um compromisso entre os dois ciclos. Reestabeleceu algum equilíbrio, mas não um aumento consistente de competitividade para saltar na classificação. A sensação que dá é que mentalmente os jogadores não estavam programados (nunca tinham sequer pensado) para esta dramática luta final. Neste momento, é esse o principal fator a trabalhar. Reprogramar a cabeça dos jogadores para uma nova realidade e decidir a época num jogo. Uma situação impensável para o projeto estável em que este Arouca se tornara.