A nova “táctica emocional”

15 de Março de 2016

Pode ser visto como apenas o jogo entre o primeiro e o último, mas isso já viramos há poucas jornadas. Um dos protagonistas era o mesmo, o Tondela de Petit. O outro, mudara. E a história também.
Este Benfica é hoje uma equipa emocionalmente levitada que joga bem porque não desafia os seus limites. Joga exatamente de acordo com as suas forças. Mesmo contra a “lanterna vermelha”, manteve o sistema e só atacou mais porque o jogo o pediu, da mesma forma que defendeu mais quando outros jogos, contra outros adversários mais fortes, exigiu-lhe exatamente o contrário.

Não é ainda tempo, no entanto, de tirar conclusões definitivas na história o campeonato. As dinâmicas emocionais que as equipas adquirem no seu decorrer são em geral decisivas mas nenhuma perde o que demonstrou, para o bem e para o mal, durante longos meses só por um jogo. O Sporting de Jesus e o Benfica de Rui vitória (para além o Braga de Paulo Fonseca mas este fora da luta pelo titulo) são hoje as duas equipas que melhor se organizam em campo no campeonato. O FC Porto de Peseiro é um processo em curso que necessitava de uma pré-época. Não pode ter as mesmas bases de autoconhecimento.

É difícil imaginar que Benfica e Sporting se desorganizem no plano global do jogo, embora com bases diferentes de... reorganização. É esse, talvez, um aspecto que hoje mais distinga as duas equipas: a transição e organização defensiva.
O Benfica vive melhor em bloco medio-baixo (ou até baixo). O Sporting pensa o jogo, em principio, posicionando-se alto e a pressionar. As perdas de bola tem inerente um risco maior.
Nos jogos que faltam disputar frente a adversários que apostam no contra-ataque esse factor pode ser decisivo, embora o debate esteja hoje mais na eficácia goleadora. Nesse ponto, a diferença é o segundo-avançado. Que faz golos no Benfica, Jonas, Que não faz em Alvalade, Gutierrez (porque é um 9 geneticamente).

Não acredito na tese dos avançados a ganhar jogos e as defesas campeonatos. Acredito que na influência táctica duma época ambos são feitos da mesma matéria. Ganha quem se reorganizar melhor e fazer da tal “táctica emocional” um estilo de jogo e não apenas um estado de ânimo a caminho dos treinos ou antes dos jogos.
Rui Vitória e Jesus, mesmo olhando neste momento com mais preocupação para um sector do que outro, também sabem disso. Da defesa ao ataque, de forma diferente.