A nova vida do Beira-Mar

29 de Maio de 2016

Subiu à 1ª Distrital de Aveiro! Há clubes que parecem ser imortais. Maltratados por quem lhes prometera fazer bem, olham de perto para a morte, como se entrassem num coma profundo com hipóteses muito remotas de lá sair... mas acordam!
Acordam sem património, acordam sem a presença de quem já tinha desacreditado e acordam com feridas que pensam já não conseguir curar. A sensação de uma tremenda injustiça, a mágoa e... as lágrimas da tão ambicionada subida à 1ª Distrital de Aveiro!

por Sandro Veloso, comentador de Futebol que seguiu o Distrital de Aveiro

Mas no futebol há algo que nunca é possível matar: a alma dos adeptos. Foi essa alma que deu ao Beira-Mar as condições para se reerguer, conseguindo logo na sua primeira temporada após a hecatombe, a tão ambicionada subida. Uma subida que vale mais do que a própria promoção, vale a certeza que o futebol português tem outro histórico que não se vai dar por vencido. A nova vida do Beira-Mar que é possível descrever apenas com uma imagem.

O treinador-jornalista

treinador bm

José Alexandre Silva é o rosto deste novo Beira-Mar. Abandonou o jornalismo, que conciliou com o treino até ao início desta época, para abraçar a 100% o projecto do clube do seu coração. Foi o responsável pela árdua tarefa de recrutar atletas para uma equipa que havia descido ao último escalão do futebol português.
O seu conhecimento da Distrital de Aveiro, onde comandou Gafanha e Calvão, assim como a experiência desde a temporada 98/99 nos escalões de formação aveirenses, foram trunfos valiosos para conseguir formar um plantel em absoluto contra-relógio.
O processo que levou o Beira-Mar até às distritais, só teve o seu resultado conhecido três semanas antes da bola começar a rolar, as poucas semanas que tiveram de ser suficientes para fazer regressar caras bem conhecidas dos adeptos aurinegros (Cristiano Roland, Pedro Moreira, Rui Dolares e Cílio Souza) , lançar jovens dos escalões base do clube e ressuscitar jogadores que tinham terminado as suas carreiras em fases prematuras, como Diogo Catraio, ele que chegou a ser capitão da equipa de Júniores do Sporting de Braga.

Dos 17 aos 40

beira mar.equipa

De Miguel Anjos, o lateral direito que quando se exibiu pela única vez com a camisola sénior amarela e preta tinha 17 anos, a Cílio Souza, o veterano goleador que apontou o último dos seus 26 golos aos 40 anos, existem 23 primaveras de diferença.
É o espelho daquilo que foi o plantel aurinegro que escreveu uma das páginas mais modestas, mas simultaneamente das mais especiais na história do clube.


(Fotografias de Mariana Alves e Toze Matos)