A paixão segundo o Real Oviedo

27 de Agosto de 2014

A paixão segundo o Real Oviedo

Desde 2000/01, ano em que desceu à Segunda Divisão, que o Real Oviedo tem vivido todo o mal que poderia encontrar no caminho, com descidas administrativas até à Terceira Divisão, enormes problemas financeiros e dificuldades para quem se manteve sempre como adepto, mesmo nos piores dias.

A entrada do investimento do Grupo Carso, ligado ao multimilionário espanhol Carlos Slim, ofereceu, há cerca de ano e meio, uma esperança a quem já pouco acreditava na possibilidade de ver o seu clube de regresso à ribalta. Mas a temporada passada acabou por se transformar numa enorme desilusão, visto que o investimento feito no plantel não se materializou em pontos e o Real Oviedo acabou por terminar em quinto lugar na sua série da 2ª Divisão B, a apenas três pontos do último emblema a qualificar-se para o playoff da subida.

Este ano, Arthuro Elias, o cara do Grupo Carso, prometeu envolver-se mais na construção do plantel e o experimentado Sergio Egea, técnico argentino com longa carreira no México chegou com a responsabilidade de transformar o Real Oviedo e levá-lo de volta, no mínimo, à Segunda Divisão. O técnico já reconheceu que, este ano, serão o “alvo a abater”, mas isso será exatamente aquilo que os seus adeptos desejam, pelo reconhecimento da grandeza do seu clube.

Esteban, o último dos apaixonados

A paixão segundo o Real OviedoSe há homem que nunca esqueceu a sua paixão pelo Real Oviedo, esse homem é Esteban, guarda-redes que este ano regressou às Astúrias para representar o seu clube do coração. Depois de ter vivido com o Oviedo a sua estreia na principal divisão espanhola, Esteban esteve na equipa que caiu na Segunda Divisão. A dor da descida marcou, de certa forma, o seu caráter, que ajudou-o a ter uma longuíssima carreira profissional, passando por clubes como o Atlético Madrid, o Sevilla, o Celta de Vigo ou o Almería onde, no ano passado, voltou a jogar na Primeira Divisão, completando 38 jogos aos 38 anos de idade.

Este ano, tendo contrato com o clube, todos esperavam que Esteban continuasse a sua carreira como um dos veteranos da Liga Espanhola. Mas, como sempre havia prometido regressar aquela que considera a sua casa, Esteban abdicou do seu contrato na divisão principal, para descer ao terceiro nível e representar o Real Oviedo.

A sua estreia não poderia ter sido marcada por um jogo mais significativo. Num estádio que mantém todas as condições para receber grandes jogos (foi renovado em 2000, numa altura em que o clube ainda parecia imune ao que logo depois lhe sucederia), o Real Oviedo começou a sua época frente à equipa B do seu grande rival, o Sporting Gijón. Mais de 11000 espetadores assistiram à vitória da equipa da casa, com Generelo a abrir o marcador e Linares a bisar. No final, o marcador brilhava com um 3-1. A esperança mora, de novo, no Carlos Tartiere, com o apaixonado Estebán na baliza, o dinheiro do Grupo Carso na tribuna e o sonho a encher, por completo, as suas bancadas.

Luís Cristóvão é aluno do Mestrado de Treino Desportivo da Universidade Lusófona de Lisboa. Escreve sobre Futebol e Basquetebol. Pode segui-lo no Twitter, @luis_cristovao