A Polónia dos “dois nº9” e o “jogo de jogadas” da Hungria

03 de Abril de 2016

Enquanto há seleções que se debatem para descobrir um nº9, outras tentam descobrir como conciliar... dois nº9 no mesmo onze. É o caso da atual Polónia.
Tem Lewandowski e quer juntar-lhe Milik ao lado. Começou assim contra a Sérvia, com Milik (que, canhoto, conduz melhor a bola) a jogar um pouco mais atrás (uns passos) em torno de Lewandowski (mais mortífero a finalizar mas com dificuldade a passar no um-para-um com bola dominada).
Esta junção leva o onze para um 4x4x2 com linhas por vezes distantes. Como também quer manter extremos puros (Blasziykowski-Grosicki), os médios-centro (Krychowiak, trinco-pivot, e Zielenski ou a revelação Kapustra) têm de ficar mais atrás para manter a cobertura defensiva. Todos sabem, porém, ter a bola.
É, no entanto, uma equipa mais perigosa pelos flancos e que preferencialmente busca a profundidade em passe longo do que em sair apoiado (embora se sinta que os médios, pelas suas características, o querem fazer).

 

A Hungria está como que a redescobrir a sua seleção a este nível. As bancadas vibram, mas em campo não se detecta nenhuma nova geração magiar para marcar um novo ciclo. Por isso, o dono construtivo do meio-campo é cada vez mais Gera (que no inicio de carreira se destacava como médio-ofensivo).
Tem um nº8 de qualidade, Nagy, mas ainda precisa crescer, por isso Elek, um jogador mais físico acaba por ser mais útil no combate do meio-campo. É uma mera “ilusão física” mas no futebol táctico atual é o que basta para, tantas vezes, se tornar logo a primeira opção.
Na frente, todos os caminhos (como também depôs os caminhos abertos) vão dar a Dzsudzsák. Um extremo de origem que pela sua qualidade técnica veloz faz o que quer no ataque húngaro. Por vezes, tira-lhe até a ideia coletiva e faz um “jogo de jogadas”. Ninguém, porém, se incomoda com isso porque essa é de facto a melhor maneira da equipa criar perigo e oportunidades de golo.