A Polónia em “projeção acelerada”

26 de Junho de 2016

A velocidade não faz, por si só, uma equipa jogar bem. Faz a equipa correr muito, o que é diferente. Esta Polónia é uma equipa que só parece perigosa quando está nessa “projeção acelerada” no jogo ofensivo.

É o impacto do estilo sobre as faixas dada pelos extremos Blazikowski-Grosicki. Ao mesmo tempo, num 4x4x2 puro, a dupla de nº9 Milik-Lewandowski tanto arrasta os centrais como joga em cima deles, até descobrir o remate ou dar o espaço (um ao outro, ou aos extremos que aparecem a combinar, como no golo).

A Suíça tinha um meio-campo mais sólido (e superioridade numérica de médios, Xhaka-Behrami-Dzemaili) mas não conseguia controlar o jogo porque a bola quase sempre saltava essa zona de construção na forma polaca de chegar rapidamente à frente. Teve mis dificuldades quando, ironicamente, os suíços quase provocaram um “jogo de espelhos de sistemas” e também passou para 4x4x2 (com Embolo e, depois, Derdiyok) como que roubando a ideia de jogo. Do onze polaco, nesta fase, quem emerge para agarrar a equipa é Krychowiack, provando que a experiência serve essencialmente para sobreviver nos momentos difíceis. Em nenhum momento, porém, a equipa parece poder ganhar controlando o jogo. Só dominando-o. Efeito do sistema e seus jogadores.

Como "libertar" craques

Não é tanto pelo que eles jogaram, mas foi sobretudo pelo que a sua entrada fez outros jogarem, os craques que antes estavam sempre marcados e não tinham espaço. Por isso, quando Chris Coleman, treinador de Gales, meteu Robson-Kanu, com maior mobilidade na frente do que o combativo fixo Vokes, libertou Bale para outros espaços porque passara a haver outro avançado a arrastar marcações.

O mesmo efeito que teve ao meter Jonathan Williams, um avançado-rato que leva adversários atrás e tirou um trinco (Ledley) recuando Joe Allen para o inicio da construção onde até então a equipa não conseguia sair com qualidade. Com isso, Ramsey tinha, por fim, também outro espaço para avançar-recuar-avançar.

Ou seja, com duas alterações, conseguiu que os craques que até então a Irlanda não deixava jogar, passassem a ter outros espaços para o fazer. Robson-Kanu e Williams atraiam as marcações e, por fim, Allen, Ramsey e Bale descobriam outros locais para receber, correr e marcar a diferença. O onze irlandês continuou na busca do “jogo direto” mas, de repente, viu a bola descer mais à relva e com isso o jogo fugiu do seu território estilístico preferencial. O “conto de fadas” de Gales pode continuar.