A táctica é a técnica

13 de Junho de 2016

eurologo

Era um jogo cheio de “poetas da técnica” no relvado (e até no banco) mas acabou por ser os “pensadores da táctica” a mandar no jogo.

 

 

 

O primeiro a procurar impor essa lei foi o turco Ozan Tufan, gerindo atrás dos criativos Arda-Okzyapuk-Çalhanoglu, mas a autoridade a erguer-se saiu do onze croata, pela cabeça e movimentos de Brozovic.

Prevendo esse duelo de tecnicistas criativos no meio-campo, a Croácia preparou o jogo para o entregar a um nível mais táctico e com Badelj a trinco, deu a Modric a condução do jogo desde trás, adiantando Rakitic. Começava assim a ganhar o “jogo táctico” ao “joga da técnica” que os turcos (apesar da rotação do pivot Selçuk Inan e do nº8 Ozan Tufan) queriam impor.Nada disto, porém, criaria um desequilíbrio táctico no
controlo dos espaços a meio-campo se descaído desde a lado direito (relacionando o controlo do centro com a largura dada em posse) não estivesse, no onze croata, o permanente critério de movimentos de Brozovic.

Quando, de repente, num jogo que se esperava de criativos à solta, se vê um jogador tão cerebral como Brozovic com técnica na táctica a pegar na bola (e ao mesmo tempo no jogo) com a sua simples presença sempre nos locais certos, percebe-se como o bom futebol só faz mesmo sentido com esta inteligência de movimentos (individual mas com “transfer” colectivo).

Custou ver este jogo fugir aos criativos (o que até levou Terim, para reagir, a tirar Okzyapuk e Arda metendo o extremo Volkan Sen) mas a última carta turca no jogo foi lançar (nos últimos vinte minutos) um talento que na Turquia muitos ainda idolatram não tanto pelo que é hoje mas pelo que imaginam que no que possa tornar com o seu enorme talento: Emre Mor, 18 anos, avançado móvel (quase ala, quase 9,5), “rato-driblador” (1,67m) que vai para cima do defesa mais duro como se nada fosse.

Ainda teve algumas arrancadas, um bom toque de calcanhar, sempre “eléctrico”, mas a táctica croata já lhe tinha roubado o jogo. Foi, porém, um “ladrão tático” com rosto destapado: Brozovic. Jogar e executar a pensar. Descobrira, no fundo, o segredo mais simples do futebol: a melhor táctica é a técnica... melhor pensada.

 

As “montanhas" e a bola

 

dzyuba

Há jogadores que devoram o estilo de jogo todo duma equipa. É o caso da “montanha russa” em forma de ponta-de-lança, Dzyuba. A equipa até terá a intenção de jogar mais apoiado, porque tem bons médios e um falsos-ala, Smolov, que tanto dá largura como flecte, mas quando tem a bola não resiste vendo esse gigante na frente em lha meter logo em profundidade, apelando à sua dimensão física para a ganhar e a partir dai criar perigo junto à área adversária.

Dzyuba luta muito e tem as suas qualidades neste estilo, mas esta atracão que provoca como que “mal-educa” o jogo da equipa que nem está depois vocacionada para ganhar as “segundas bolas” que sobram das suas divididas. Foi quando o jogo passou a andar mais na relva e Shatov, um 10 no sistema, recuou mais para se juntar mais aos médios, que a equipa cresceu através do maior respeito pela posse e pela... bola.

 

Acaba, ironicamente, por empatar já nos descontos, por uma outra “montanha” na frente, o central Berezutsky, mas o curioso foi ver que esse cabeceamento heroico no terceiro andar, resultou não de um simples bola “bombeada” para a área, mas de uma jogada construída até ao cruzamento.