A TÁCTICA EMPATA. A TÉCNICA GANHA

29 de Julho de 2014

Meias-finais. Filosofias distintas: no táctico, no técnico e no físico. Scolari, Low, Sabella e Van Gaal. Nenhum destes quatro treinadores chega a esta fase particularmente admirado pelos seus adeptos. Descontando o lado emocional normal do futebol, não é muto normal esta unanimidade critica. Sobretudo porque, ao mesmo tempo, é pacifico afirmar que chegam a esta fase as quatro melhores seleções deste Mundial. Questões estéticas ou estilo à parte. O problema é, cada adepto, sentir que o lado mais atrativo da sua seleção, a criatividade, lhe está a fugir. Como se lhe tirassem o tal “tapete emocional” debaixo dos pés.

Em termos gerais, num jogo, acho que é a qualidade técnica diferencia as equipas e a inteligência táctica que as equipara. Só assim, de resto, as equipas “mais pequenas” podem lutar contra os gigantes. O rombo da lesão de Neymar foi um “tiro” no coração da arte do Mundial.

Para Scolari, porém, a questão não será vista assim tanto na perspectiva do comum do adepto ou até, comentador brasileiro. Se, na análise destes, se pensaria logo como irá agora a equipa se refazer para atacar, Scolari, pelo contrário, pensará, agora que perdeu o poder atacante diferenciador, como posso reforçar a segurança da minha organização defensiva.

A lógica do substituto avançado levaria a Willian (ou Bernard). A lógica do equilíbrio frente a uma Alemanha com uma “sala de máquinas” no meio-campo, leva a pensar no posicionamento de cobertura sem bola. Leva a pensar em Ramirez, o “corre-caminhos” entre a ala e a meia-direita, espaços adjacentes que reequilibram a equipa após perda da bola. E Óscar pode adquirir maior protagonismo no centro, ser mais o 10 que nunca deixou de ser dentro dele.
Este dilema leva a pensar nesta seleção do Brasil, e no futebol em geral, mais a fundo: como é possível a ausência de apenas um elemento (mesmo um craque) poder afectar tanto o jogo duma equipa?
É fácil: Quando a bola vai ter com Neymar, Óscar ou Hulk acredita-se que a solução está no jogador. Quando vai ter com Luiz Gustavo, Fernandinho ou Ramirez acredita-se que está na táctica.

O “ELO” MAIS IMPORTANTE

A TÁCTICA EMPATA. A TÉCNICA GANHALahm é um jogador que pensa o futebol a partir de diversos pontos do relvado. Cada perspectiva, porém, leva-o à mesma conclusão. O problema é poder, depois, concretizá-la em função desse eventual desvio. Gosto muito de o ver jogar a npivô. Mas uma coisa é Lahm médio-centro no Bayern, com Alaba a lateral-esquerdo ofensivo. Outra coisa é Lahm médio-centro 6 na seleção alemã com dois laterais que são “centrais” adaptados (Botagen-Howedes, e até o limitado Mustafi) incapazes de dar profundidade.

Ou seja, nesta segunda solução a Alemanha perde o jogo pelas faixas mais forte. O problema não é só Alaba não ser alemão (é austríaco). O problema é Low parecer não ter pensado muito nisto ao ponto de criar princípios de jogo mais rotinados deste tipo.

Quando o fez com a França, Lahm cumpriu a lateral, mas viu Muller, que jogou a extremo-direito, demasiado conflituoso no jogo. No fundo, sentiu que lhe tinham retirado importância que, como nº9 falso-móvel, onde tinha mais liberdade de movimentos.

Uma equipa é uma sucessão de ligações entre jogadores. Basta uma falhar, para tudo o resto se ressentir.