África, as grandes viagens

02 de Abril de 2009

África, as grandes viagens

Com o primeiro Mundial africano no horizonte, o apuramento no continente negro torna-se ainda mais fascinante. Os contrastes de estilos e atmosferas fantásticas, do Quénia ao Egipto, espelham diferentes formas de entender e viver o jogo. Segui todos os jogos, mas o primeiro objectivo foi buscar as imagens do Estádio Nacional da Machava, em Maputo, onde Moçambique recebia a Nigéria. Ambiente fantástico. Sente-se a tensão em cada jogador do onze moçambicano. O seu estilo de jogo é apoiado, procuram tocar muito a bola no meio-campo e no ataque apostam mais na bola em profundidade e ganhar duelos individuais. Quase todos os seus jogadores alinham em clubes da África do Sul. Sem a grande estrela Tico-Tico (do Jomo Cosmos), os olhares viraram-se para outro avançado sempre em busca do golo: o nosso velho conhecido Dario, antigo jogador da Académica, hoje no Mamelodi Sandows. Faz dupla no ataque com Genito (do Honved). Aos 32 anos, Dario está mais robusto, choca melhor com os defesas, mas perdeu agilidade.

É, no entanto, a alma da equipa, enquanto o seu coração está, à frente da defesa, em Simão (Panatinaikhos) cada vez mais um jogador de classe internacional. Segura a bola, temporiza e passa. Um pivot africano de cultura europeia. Nas alas, Miro e Domingues, trocam de posição e garantem sempre largura à equipa. Frente a um onze nigeriano que soltava quatro feras no ataque: Odemwingie, Obinna, Uche e Martins, com Mikel atrás, Moçambique nunca se desiquilibrou e só cedeu em jogadas de um para um, onde o seu «4» defensivo (Khan, Fanuel, Mano e Paito) sentiu muitas dificuldades.

No Quénia, a Tunísia de Humberto venceu (1-2) devido à sua maturidade táctica para aguentar a maior velocidade e entusiasmo queniano, com uma excelente dupla atacante composta por Ouma (ainda no Mathare United do Quénia) e Oliech (do Auxerre) um avançado que pode jogar numa grande equipa. Num compacto 4x5x1 sem bola, mantendo o móvel Jomaa (do Lens) na frente, apoiado pelo criativo Khalfallah, o onze tunisino ocupa melhor os espaços (imperial a dupla de centrais Jaidi-Haggui) e desdobra-se no contra-ataque. Um estilo de jogo que vive no oposto do Burkina de Paulo Duarte que goleou a Guiné Conacri (4-2) impulsionado pelo ponta-de-lança Dagano (dois golos). Tem dificuldade em segurar a bola e, por isso, sofre muito a defender, mas com uma segunda linha de médios muito imaginativa (Zoundi, Traore, Kabore), em 4x1x3x2, o seu processo ofensivo levava Uagadugu à loucura em cada jogada. Vai discutir o apuramento com a Costa do Marfim e, nesta fase, o onze de Dagano já provou que nada é impossível.