ALLSVENSKAN: MALMOE, o gigante sueco

04 de Outubro de 2014

ALLSVENSKAN MALMOE, o gigante sueco

FUTEBOL NÓRDICO: em revista pelo clube que formou Zlatan Ibrahimovic; da serenidade e tranquilidade de Markus Halsti à irreverência de Magnus Eriksson, o “descendente” de Ibra, passando pela lufada de ar fresco que é Emil Forsberg

Magnus Eriksson: efusivo nos festejos, exuberante no visual e impiedoso a rematar

Com o Malmö FF apenas a uma vitória de revalidar o título sueco, o 18º da sua história (e relembrar que o campeonato começou no final de Março, evitando assim os terríveis invernos nevosos característicos de terras nórdicas), a formação onde Zlatan Ibrahimovic nasceu para o futebol leva 56 pontos na Allsvenskan. Ora, os 10 pontos de avanço para o Elfsborg podem já valer o título no próximo dia 5 de Outubro, dia da visita ao terreno do AIK Solna.

O segundo título consecutivo para o clube que veste tradicionalmente azul, o qual já não deve fugir, vem-se afirmar como determinante para o sucesso da instituição: o futebol nórdico é relativamente propício a hegemonias, assim como longas secas no que toca a adversários capazes de destronar um campeão em constante crescimento.

ALLSVENSKAN MALMOE, o gigante suecoA participação na Liga dos Campeões da UEFA vem credibilizar uma formação já histórico, relembrar pois que é a equipa com o coeficiente mais baixo de sempre a entrar na competição. Treinada por um dos treinadores nórdicos mais experientes da actualidade, o Malmö conta com Åge Hareide, norueguês de 61 anos com 6 títulos oficiais na carreira, para abordar todas as partidas de forma cada vez mais inteligente e astuta. Uma das velhas raposas do futebol nórdico, Hareide tem como eleição um tradicional 4-4-2 mas não hesita em alterar o sistema tático em jogos que assim o pedem: o técnico escalonou os seus jogadores num menos comum 5-3-2 em Turim e mostrou assim uma enorme coesão defensiva apesar da óbvia derrota. Mas se é verdade que a equipa defende bem, tal não se deve apenas à colocação de 3 centrais no eixo defensivo. Os elementos em campo têm que agir de forma serena e fria; coincidentemente uma das características primárias no futebol nórdico.

Markus Halsti: hino à serenidade a defender ou a construir, um astuto líder polivalente

Cada vez mais no futebol moderno – e isto não é novidade, como provavelmente saberão – é importante um treinador construir uma equipa que seja capaz de se adaptar a novas realidades ou a diferentes abordagens de jogo. E o defesa/médio Markus Halsti é um dos melhores jogadores nórdicos no que toca à perfeita leitura de jogo. E se há alguém que mereça elogios no campeonato sueco (da massa adepta sueca, de forma generaliza) é este finlandês que se vai afirmando como, arriscaria dizer, o jogador mais inteligente da liga.

Extremamente subvalorizado fora de portas, até pela indiferença e desconhecimento geral a estas nações futebolísticas, este nórdico de cabelos longos é irrepreensível em quase todos os aspetos. Com grande qualidade de passe o Malmö tem garantida uma exímia construção de jogo, assim como uma visão invejável. E uma das razões para o seu recuo no terreno, algo que tem vindo a ser relativamente frequente nesta temporada, é por dar maior segurança e consistência na construção de jogo a partir do bloco defensivo. Não tem nada que saber.

ALLSVENSKAN MALMOE, o gigante suecoRosenberg e Forsberg marcaram 26 dos 52 golos do Malmö na Allsvenskan, exatamente 50%

Se no artigo passado desta rubrica Futebol Nórdico me foquei da dupla fatal da Tippeligaen, Kjartansson e Zahid, é quase mandatário evidenciar a conexão Rosenberg-Forsberg, ambos terceiros melhores marcadores na Allsvenskan com 13 golos para cada. O mais novo, Forsberg de 22 anos, fez um hat-trick no último embate caseiro do Malmö frente à frágil formação do Mjallby. Markus Rosenberg também molhou a sopa… mau era.

Referir também a obviedade de que a experiência tem uma extraordinária importância neste desempenho ofensivo do clube: Rosenberg complementa Forsberg e vice-versa, sendo que este primeiro dispensa apresentações e com 32 anos já foi a referência ofensiva de clubes como o Werder Bremen ou o West Bromwich Albion num passado mais recente. É, como se pode imediatamente calcular, a individualidade mais valiosa da liga sueca.

Seria ingrato terminar este artigo sem fazer a menção ao irreverente Magnus Eriksson, jogador que faz lembrar Zlatan Ibrahimovic pela sua disposição no relvado: refilão, instável, imprevisível e por vezes genial.

Elogiar esta dupla ofensiva é ao mesmo tempo dar graças a uma das (ou mesmo a mais) mais valorizadas formações nórdicas da atualidade, referindo-me a processos coletivos, a par de emblemas como o imparável Molde ou o hegemónico HJK da Finlândia. Isto para dizer, e em jeito de conclusão, que o sucesso desta dupla temível deve-se a um conjunto extraordinariamente organizado por um técnico experiente que conta com individualidades quase fora-de-série se tivermos em atenção o panorama do futebol sueco. Será, portanto, improvável que alguém tire aos Himmelsblått o domínio das competições internas nas próximas temporadas.