América: O México domina Champions da Concacaf.

25 de Maio de 2016

O panorama na Liga dos Campeões da Concacaf segue igual: supremacia mexicana e taça erguida por uma das maiores equipes da Terra de Chespirito.
Na Final desta época, o América do México entrou forte, dominou com o seu futebol o Tigres UNAL e conquistou desta forma o seu sétimo título continental (é o maior campeão), o segundo consecutivo e, tal como já tinha feito o Auckland City (da Nova Zelândia), carimbou passaporte para o Mundial de Clubes da FIFA 2016 – Será a terceira participação em dez anos.

Por Luis Felipe Nogueira/Mattheus Cruz Laboissiere (desde a América do Sul)
www.planotatico.com
www.facebook.com/planotaticofutebolalternativo

A tradição e o retrospecto na competição – as Águilas passaram sem dificuldades por Motagua (Honduras) e Walter Ferreti (Nicarágua), superaram Seattle Sounders (EUA) nas quartas e o conterrâneo Santos Laguna nas semifinais – ainda assim não colocavam o América do México como favorito ante o estrelado Tigres: o forte elenco treinado por Ricardo “Tuca” Ferretti mantivera a base vice-campeã da Libertadores 2015 e vencedora do Apertura mexicano 2015.

O América, sob o comando de Ignacio Ambríz, mostrou sua força na ida da final ao bater os rivais por 2 a 0 nos acréscimos, em 20 de abril. A boa vantagem fora de casa, no entanto, não livrou o América do México de certo drama na volta, uma semana depois… O francês André-Pierre Gignac abriu o marcador aos 40 minutos, mas na segunda etapa Michael Arroyo e Osvaldo Martinez, de pênalti, viraram o placar, dando a Liga dos Campeões da Concacaf 2015/16 ao América, o mesmo destino da temporada anterior. Que fiesta!

A soberania mexicana na Champions da Concacaf

mexico

Não é novidade para ninguém que os clubes do México dominam na Liga dos Campeões da Concacaf. Em 2015/16, os quatro times mexicanos do torneio (Querétaro, Tigres, Santos Laguna e América) avançaram aos quartos de final e superaram os estadunidenses DC United, Real Salt Lake, Los Angeles Galaxy e Seattle Sounders, respectivamente, fazendo das semifinais um campeonato doméstico pela terceira vez no século.
Em 2003, América do México e Necaxa foram às semifinais contra o campeão Toluca e o vice Monarcas Morelia, respectivamente. Sete anos depois, Pumas e Toluca foram vencidos por Cruz Azul e Pachuca, que ficou com a taça.

No Século XXI, o título da Liga dos Campeões da Concacaf não ficou no México em apenas duas ocasiões, quando os costarriquenhos Alajuelense (2004) e Deportivo Saprissa (2005) comemoraram.
Oito das últimas 11 finais foram entre mexicanos. Mesmo a expansão técnica e financeira da Major League Soccer graças à constante vinda de jogadores renomados da Europa, não tem melhorado as campanhas dos times estadunidenses além-fronteiras – evidência comprovada com a quádrupla eliminação desta edição.

O Los Angeles Galaxy, há 16 temporadas, foi a última equipe da Terra do Tio Sam a ir à desforra continental. Desde então, quem mais se aproximou da glória foi o Real Salt Lake, finalista do torneio em 2010/11.

No Canadá, o panorama não é muito diferente: o Montreal Impact, de Didier Drogba, tornou-se a primeira equipe do país a chegar à decisão da Liga dos Campeões da Concacaf, em 2014/15 – o torneio existe há 44 anos. Trata-se de um caso que destoou, porém, da dura realidade canadense, que ainda busca a afirmação na Major League Soccer.

Claro, o formato vigente não é dos mais empolgantes e praticamente inviabiliza zebras: na fase de grupos, das três equipes de cada chave, apenas uma avança às quartas de finais, sendo geralmente os cabeças de chaves (clubes de México e Estados Unidos). Os recentes fracos desempenhos dos times costarriquenhos assentam a decadência futebolística da América Central, exacerbada a partir dos anos 1990: o Olimpia (Honduras), em 1988, foi o último de fora do eixo México/Estados Unidos/Costa Rica a conquistar o título.

Os caribenhos precisam se classificar via CFU Club Championship e costumam ser saco de pancadas – o Central FC (Trinidad & Tobago), campeão inédito da liga local em 2014/15, teve o melhor desempenho na LC da Concacaf 2015/16: quatro pontos em quatro jogos. A exceção recente é o Puerto Rico Islanders, semifinalista em 2008/09.

Mexicanos são fracos no Mundial de Clubes

mexicolib

O América do México terá mais uma chance de afastar o incômodo dilema que envolve os times mexicanos: supremos na Liga dos Campeões da Concacaf, meses depois costumam protagonizar campanhas vergonhosas no Mundial de Clubes. Ainda que o cruzamento de chaves não seja generoso – em cinco das últimas 11 edições, o trajeto até a final incluiu duelo contra o campeão da Champions League –, as equipes do México jamais chegaram às finais, algo que os africanos TP Mazembe (RD Congo) e Raja Casablanca (Marrocos) já lograram.

Quando alcançam as semifinais, os mexicanos são eliminados e ainda passam por derrotas constrangedoras na decisão do terceiro lugar, como a sofrida pelo Cruz Azul em 2014, para o semiprofissional Auckland City (Nova Zelândia).

Nas duas participações anteriores, o América do México se deu mal. Em 2006, sofreu para passar pelo Jeonbuk Motors (Coreia do Sul) nas semifinais – a vitória de 1 a 0 veio a dez minutos do fim. Nas semifinais, o América do México não ofereceu resistência alguma para o Barcelona de Ronaldinho, Eto’o, Deco e companhia, que cairiam na final para o Inter de Adriano Gabiru. Na decisão do terceiro lugar, nem Salvador Cabañas evitou a derrota para o Al Ahly (Egito) por 2 a 1.

De volta ao Mundial após nove anos, o América do México deu vexame ainda maior em 2015. Pelas quartas de final, vencia o Guangzhou Evergrande (China) por 1 a 0 (gol de Oribe Peralta) com relativa tranquilidade até os 35 minutos da etapa final. Uma falha do goleiro Miguel Muñoz no chute Zheng Long e uma cabeçada precisa do ex-corinthiano Paulinho, já nos acréscimos, colocaram tudo a perder. A vitória por 2 a 1 sobre o Mazembe na decisão do melancólico quinto lugar não serviu de consolo.

O que esperar do América do México no Mundial de Clubes 2016?

americagolo

O terceiro lugar do Necaxa em 2000 (no antigo formato da competição) e do Monterrey em 2012 são exceções que servem de inspiração para o América do México no Mundial de Clubes da FIFA 2016. Em relação à equipe que esteve no Japão em 2015, pouco mudou. Houve troca apenas na meta: o veterano Miguel Muñoz perdeu a posição para o jovem Hugo González. O sistema defensivo continua liderado pelo xerife argentino Paolo Goltz, tendo como alicerces os experientes Pablo Aguilar (paraguaio) e Paul Aguilar (mexicano), além do lateral-esquerdo Miguel Samudio, ex-Cruzeiro.

Rubens Sambueza (teve rápida passagem pelo Flamengo em 2008), o colombiano Andrés Andrade e o paraguaio Osvaldo Martínez continuam a compor um sólido tridente no meio-campo, cujas opções no banco de reservas estão à altura – há o equatoriano Michael Arroyo, artilheiro do América do México na Liga dos Campeões da Concacaf 2015/16 com cinco gols, e o brasileiro William, que superou problemas cardíacos quando defendia o Palmeiras na década passada e chegou no início de 2016 vindo do Querétaro.

Darwin Quintero, Oribe Peralta e Darío Benedetto formam o trio de ataque – autores de oito dos 19 tentos do esquadrão amarelo no torneio continental. Não bastasse, o clube ainda desembolsou o equivalente a R$ 12 milhões para tirar o promissor Brian Lozano do Defensor Sporting (Uruguai) em janeiro de 2016.

amvriz

No comando técnico, Ignácio Ambríz (foto), que integrou a seleção mexicana na Copa 1994, assumiu o lugar de Gustavo Matosas logo após a conquista da Liga dos Campeões da Concacaf 2014/15 e deu a volta por cima depois de passar por momentos conturbados. A queda nas semifinais do Torneio Clausura para o Pumas, bem como a supracitada decepção no Mundial de Clubes, colocaram o treinador em rota de colisão com os dirigentes.

Prestigiado com o título continental, engana-se quem pensa que Ambríz, cujo contrato vai até junho de 2017, livrou-se das pressões: todos anseiam pela conquista do Apertura 2016 – atual vice-líder da fase regular, o América do México já tem lugar garantido na Liguilla, espécie de mata-mata bem semelhante ao disputado no Campeonato Brasileiro entre 1998 e 2002. Será que o América do México vai decepcionar no Mundial de Clubes 2016?