Apenas uma bola a rolar…

30 de Julho de 2012

PLANETA DO EUROPEU (24)

Através dos tempos, vários sistemas e modelos já conquistaram títulos. Mais ou menos estéticos, defensivos ou ofensivos, em velocidade ou passes curtos, existem mais de 1001 formas de jogar futebol! Todas legitimas na fascinante babilónia do Planeta da bola.
Espanha e Itália estão na Final do Euro. Com os seus genes latinos e o upgrade técnico-táctico dos novos tempos.

Em Espanha, tudo nasce do fim da fúria, mais do que estilo, um estado de espírito. E, assim, perdia sempre. Como dizia Menotti, faltava decidir o que queria ser no jogo: o touro ou o toureiro! A partir do dia em que decidiu cultivar a arte da faena com bola, capa (táctica) e espada (técnica) na mão, nunca mais o Mundo do futebol foi o mesmo.

Apesar disso, cresce uma corrente de opinião que rotula esse estilo enleante de futebolisticamente aborrecido. Querem mais velocidade, mudanças de ritmo, piques, explosões e coração aos pulos. É uma opinião legitima, claro. Tão lógica como quando alguém diz que na Fórmula Um só gosta mesmo de ver é a partida, momento em que os carros estão todos juntos, arrancam, e, na suprema emoção, até chocam e há um acidente. No resto do tempo, é só um carro a dar voltas a uma pista. Aborrecido, sem duvida.

Como o futebol espanhol (transfer do Barça) que, bem visto, é, na sua máxima expressão, apenas uma bola a dar voltas por todo o relvado sem parar durante 90 minutos. Ainda mais aborrecido, portanto. Como, então, também será o futebol de um jogador que não faz piques nem grandes fintas. De cabeça levantada, apenas lê o jogo, controla e conduz a bola num ritmo pausado, passando-a sempre para o sitio certo, abrindo espaços. É o estilo de Pirlo, arquiteto e decorador de interiores tácticos da seleção italiana. Vejo-o jogar com uma vela acesa.

O futebol, na sua infinita sabedoria, admite todos os debates e adeptos. No estilo, o italiano Pirlo parece saído da nova escola espanhola. Pensa como Xavi ou Iniesta. Tem a mesma arte monótona de transformar a técnica na...táctica e a táctica na...técnica. Alguém consegue dizer onde acaba uma e começa outra nos pés destes poetas com bola?

A "segunda vida"

Um jogador que, no Euro, me suscitou essa sensação foi Jonhson, o lateral-direito da Inglaterra. Aos 20 anos, promessa, via-o, no Chelsea, pouco agressivo nos espaços. Falhava nos duelos e timings de entrada à bola, subia sem respeitar os recuos. Saiu, vagueou por vários clubes (está no Liverpool) e agora, revendo-o ao mais alto nível, descobre-se outro jogador. Com 27 anos, está mais robusto, atento, oportuno a subir, culto no sentido posicional, a fechar e dobrar,.

Não sei os segredos deste seu processo de crescimento, mas esta sua evolução (que não bebeu no rudimentar futebol base britânico) foi feita a nível sénior. Terá sido sobretudo a sua capacidade de autoanálise, junto com os treinadores que teve neste percurso. Ele é a prova que a maturidade de um jogador é um processo continuo. Até ao último dia da carreira pode encontrar sempre onde evoluir