1972: IV CAMPEONATO DA EUROPA. VENCEDOR: RFA

7 de Maio de 2000
Os anos 70 foram marcados pela explosão do futebol força alemão. Finalmente confirmava-se a profecia de Sepp Herberger, em 54, sobre o que a condição atlética podia lograr no mundo do futebol tacticamente convertido ao 4-3-3.

O TRIUNFO DO FUTEBOL FORÇA

Depois da década de todas os movimentos sociais, que se espelhou no futebol de forma híbrida, os anos 70 consagraram uma profecia que já ficara no ar depois de no Mundial- 54, quando a condição atlética alemã superou a magia técnica dos húngaros. Era a explosão do futebol força. Principal protagonista: a imperial RFA, morfologicamente possante, a imagem do gigante povo germânico, futebolisticamente musculada até ao tutano, para quem remates a 30 metros da baliza eram simples toques na bola. Fora dos relvados ninguém os conseguia imaginar sem uma caneca de cerveja ao lado, no relvado, os tanques da bola, pareciam capazes de derrubar o mais imponente dos castelos. Esta selecção alemã não era, no entanto, um mero rolo compressor em forma de equipa de futebol. Para além da arma atlética, imagem de marca do seu futebol-força, aquela RFA era um must de grandes jogadores, verdadeiras estrelas de uma galáxia superior, como o Mundial-74 e, a nível de clubes, a explosão do Bayer Munique, abrigo da base da selecção, iriam em breve confirmar. Um percurso glorioso, onde ficou bem expresso o que o poderio físico, quando esculpido por uma capacidade técnica invulgar, pode alcançar no mundo do futebol. No leme deste equilíbrio força-técnica um homem que fora a revelação do Mundial-66 e grande figura do torneio de 70, quando, para além da classe do se futebol, dera uma lição de espirito de sacrifico ao mundo quando jogou mais de uma hora com o ombro ao peito durante a meia-final com a Itália: Franz Beckenbauer. Tacticamente, no entanto, a Alemanha Federal, não se destacou pela inovação. Continuou discípulo do rígido sistema alemão baseado num líbero sempre pronto a subir ao meio campo, Beckenbauer, e manteve os tradicionais “stoppers” de marcação, fieis aos ditames da impiedosa “mandeckug”, a dura marcação homem-a-homem que fez escola no futebol alemão e que grandes estrelas do futebol mundial sentiram na pele e, sobretudo, no osso, protector de um meio campo lutador, onde estava Breitner, Heynckes e Netzer, e de três avançados peitudos, sendo que um deles, Hoeness, jogava sempre atrás dos pontas-de-lança. Um 4-4-3, sistema dominante na época, com cara de poucos amigos que posto a funcionar em forma de panzer futebolístico esmagou todos os que lhe apareceram pela frente. Na frente de ataque, Helmut Schon o seleccionador fiel á dinastia táctica alemã, resolvera finalmente um dilema. A era Uwe Seller terminara finalmente. Em 70, ainda houve a tentação de combinar o velho goleador com o novo homem-golo, Gerd Muller, mas depois de duas edições do Europeu, 66/68 e 70/72, em que o bombardeiro apontou 16 golos em 12 jogos, toda a pátria teutónica consagrou definitivamente Muller como o grande goleador da história do seu futebol.
Grande marco na cavalgada para o titulo, seriam os quartos-de-final frente á Inglaterra. Até esse momento, nunca a RFA vencera a “Velha Albion” na sua catedral. No final dos 90 minutos, com a “Velha Albion” por terra, vergada ao peso de uma derrota por 3-1, a relva de Wembley parecia que tinha sido atropelada por uma manada de elefantes, onde sobressaiam as terrorificas pegadas de Guntar Netzer, o possante médio teutónico que calçava 48!, mais do que um simples carregador de piano, um verdadeira camioneta de mudanças, capaz de levar toda a orquestra aos ombros. O auge goleador surgiu na Final, em Bruxelas, quando de novo a URSS emergiu para desafiar a secular vocação alemã de dominar a Europa. O jogo decisivo tornou-se, no entanto, face ao declínio do futebol soviético, num passeio para o onze germânico que venceu sem problemas por 3-0. A comprovar o domínio germânico, pela única vez na história a classificação da Bola de Ouro para melhor jogador europeu apenas abrigou jogadores da mesma nacionalidade nos três primeiros lugares, todos alemães, obviamente: Beckenbauer, o “Kaiser”, seguido de Muller e Netzer. Para os soviéticos fora o último fôlego do qual só voltariam a despertar nos anos 80. Foi o Europeu de Beckenbauer, o homem que, juntamente na mesma época com o Inglês Bobby Moore, deu uma nova dimensão ao posto de líbero que se tornou uma referência obrigatória no futura dinâmica táctica das selecções alemães, onde, ao longo dos tempos, surgiriam, cada um na sua época, dignos sucessores da aura soberana do “Kaiser. Foram os casos de Stielike, Karl Heinz Forster, Augenthaueler, Matthias Sammer e, na fase final da sua carreira, Lottar Mattuas. Todos masters da condição atlética, capaz de correrem 90 minutos com um fôlego só. No futuro, a evolução da história do futebol provaria que só com grande virtuosismo técnico, explorando a sua dureza de rins, é que seria possível vergar o seu imenso poderio. JOGADOR ESTRELA: BECKENBAUER (RFA) JOGADOR REVELAÇÃO. NETZER (RFA) GOLEADOR. MULLER (RFA) 11 GOLOS (Fase final+Elim.)

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