1. Como começar relações; 2. Um pilar por sector; 3. "Esconder" o criativo
1. Começar relações
Aimar e Wisel, a priori, numa visão sobre seus estilos físicos e tácticos, não são parecidos em nada. Se, porém, olharmos para a forma de jogar preferencial de ambos (técnica e visão de jogo) chegamos a um ponto em que essas (aparentes) diferenças se cruzam. É o facto de ambos terem a qualidade táctico-técnica de dar continuidade a circulação de bola da equipa. Depois, perante qualquer erro do bloco, sobretudo quando colocado alto e com missão de pressionar imediatamente após a perda da bola, qualquer um deles, em zonas diferentes, tem a inteligência de se (re)colocar para evitar fissuras tácticas no equilíbrio entre-linhas do colectivo, inclusive compensando a falta dos jogadores que eventualmente não o façam da melhor forma.
É um pouco o «lado invisível» do jogo de dois jogadores tecnicamente evoluídos. Uma complementaridade táctica natural após um inicial afastamento aparente de estilos. O próximo passo é promover que, no jogo, dialoguem o mais possível, ligando diferentes fases de construção através da perfeita relação com a bola

2. Um pilar por sector
Um dos métodos que gosto de seguir para avaliar a qualidade de um onze é tentar identificar um pilar (isto é, um jogador de referência indiscutível) por cada sector. Quando tal se consegue de forma clara, é, em geral, quando existe mesmo qualidade consistente nessa equipa. No FC Porto penso Rolando-Moutinho-Hulk. No Benfica, penso, Luisão-Aimar-Cardozo. Nessa lógica, a construção do novo Sporting ainda suscita duvidas. Existem, porém, sinais desses pilares. O mais forte no meio-campo.
Um jogador não faz uma equipa mas alguns...começam-na a fazer. Elias é o tipo de jogador que faz parecer melhores os outros que estão em seu redor. No ataque, Wolsfwinkel ultrapassou, com instinto e golos, o impacto inicial resultante do seu estilo baby face meio atemorizado que iludia a sua qualidade escondida. É na defesa que ainda não se vislumbra essa referência. Um pilar que num campeonato longo faz e desfaz qualquer talento que esteja noutros sectores à sua frente. Porque aquilo que as melhores equipas têm em comum começa na sua aparente diversidade.

3. "Esconder" o mais criativo
Á 6ª jornada, o Marítimo de Pedro Martins solidificou um onze e um sistema de jogo que, num 4x3x3 forte a pressionar na zona central (o trio Souza-Rafael Miranda-Olberdam) não deixou, no entanto, que esta concessão à face mais combativa do sector, ele perde-se o seu elemento mais criativo, Danilo. No passado, surgira quase sempre no centro, como um 10 solto repentista.
Na nova equação táctica, surge encostado sobre um flanco como ponto de partida do seu jogo. Com Sami na esquerda, Danilo descai sem bola sobre a direita, puxando depois para o centro na sua posse. Faz recordar um pouco o que Marcinho fazia em épocas passadas.
Mantendo um nº9 forte (Baba) com poder de desmarcação em espaços curtos, o «criativo escondido» torna-se difícil de marcar para os adversários. O Guimarães sentiu isso no ultimo jogo. Sempre que surgia no jogo quase que parecia sair de um buraco no relvado. Então, quase parecia que a equipa jogava com doze jogadores. É a ilusão mais directa que se tem quando existe superioridade táctica clara num sector especifico.