O futebol não é uma questão de duelos individuais mas há casos em que essa sensação (e realidade) toma conta dos jogos. Foi o que sucedeu nas batalhas da Champions, cruzando o debate sobre qual o mais indicado sistema de marcação (homem ou zona) e alguns confrontos individuais (por caírem no mesmo espaço) que fizeram a diferença.
Em Barcelona, por entre a exibição poética do projecto-Guardiola, esconderam-se, no entanto, pontos-chave que melhor explicam o jogo. Klinsmann sentiu o peso do jogo e mudou a estrutura. Passou do seu habitual 4x4x2 clássico, para um 4x5x1 que colocava três homens (Schweinsteiger-Van Bommel-Zé Roberto) de perfil à frente da defesa, quando a equipa não tinha a bola. Nas alas ficavam Altintop, fechando à direita, e Ribery, à esquerda, com intenção mais ofensiva mas condenado quase sempre a olhar para trás e, nas suas costas, ver jogar… Messi. Recusando marcações individuais, Klinsmann quis marcar a pulga à zona. O problema é que Messi entrava sempre da mesma forma (da esquerda de fora para dentro) e nesse espaço deparava-se sempre com os mesmos homens: Lell, o lateral-esquerdo, e Breno e central que descaía na faixa canhota. Por isso, o duelo zonal tornou-se quase individual com estes dois jogadores, ambos incapazes de parar os zigzags e passes de Messi. E sem defender bem, é impossível atacar com qualidade.
Mas há casos em que as marcações individuais podem libertar o resto da equipa e até protege-la de outros jogadores que não o marcado ao homem. Estranho? A marcação de Essien a Gerard, no Chelsea-Liverpool é o exemplo prático perfeito para perceber isto. Astuto, Hiddink mudou a estrutura, tirou Mikel e jogou com dois pivots (assim mesmo, sem o rótulo defensivo): Ballack e Essien. Enquanto o alemão saia para o jogo, Essien caia em coima de Gerard quando o motor criativo e organizador do Liverpool surgia entre-linhas perto da área. Nunca teve tempo para respirar, muito menos para descobrir linhas de passe para o ponta-de-lança (Torres, claro) que estava atrás de…Essien. Ou seja, desta forma, o plano-Hiddink anulou Gerard (comido por Essien) e anulou…Torres, mesmo estando El Niño espanhol mais distante. Como? Fechando as linhas de passe que podiam levar a bola a chegar até ele. A excepção foi mesmo o golo, quando Gerard fugiu e, subvertida disciplina das marcações, Torres ficou liberto. No resto, foi o primeiro grande golpe táctico de Hiddink no Chelsea europeu. Uma evolução notável, em 4x2x3x1 (com Anelka e Deco no banco) e Lampard nas costas de Drogba, abrindo nas faixas Kalou e Malouda. É a chamada alta-costura táctica.