Histórico emblema da velha URSS, o Dinamo de Tiblissi é hoje, a nível de clubes, o grande símbolo do renovado futebol da Geórgia. O seu onze é, quase sempre, todo constituído por jogadores de origem georgiana. A única excepção resume-se, em alguns jogos, á entrada do ala-esquerdo brasileiro Romero. Longe do estilo mecanizado que fez escola no leste, o actual Dinamo de Tiblissi é uma equipa desenquadrada do chamado ritmo internacional. Se tiver espaço, sabe trocar a bola, desenhar triângulos de penetração, em futebol apoiado, pelos flancos, mas, apesar do valor técnico da maioria dos seus jogadores, falta-lhe, depois, velocidade para mandar no jogo frente a adversários de nível europeu. Tacticamente, partindo de um 4x2x3x1 de rosto conservador, com as duas linhas do meio campo muito recuadas, a dinâmica do sistema, em termos ofensivos, fica comprometida pela incapacidade do onze em defender alto, incapaz de fazer o fora de jogo (em Newcastle falhou sempre quando o tentou fazer, deixando os avançados adversários isolados na cara do guarda-redes Irakli Zoidze), revelando-se, nesta postura, uma equipa demasiado macia, nem faz faltas, nem recupera bolas, fechando muito mal nas faixas. Ou seja, tem técnica, mas falta-lhe tempo para a por em prática.
A juventude do onze, todo, á excepção do patriarcal médio centro Nemsadze, com idades inferior a 25 anos, assegura-lhe a irreverência competitiva, mas, depois, falta-lhe consistência táctica defesa-ataque. Neste contexto, o ponto mais equilibrado do onze reside na dupla de volantes Kankava-Kandelski, personalizada com a bola nos pés, capaz de a fazer girar, mas, após a perder a sua posse, pouco combativa na sua recuperação. Na defesa, os centrais revelam tendência para marcar ao homem, perdendo, muitas vezes, nessa acção de perseguir os pontas de lança adversários, o sentido posicional no coração da área, enquanto os laterais sobem no terreno a apoiar os médios-alas sempre que a equipa parte para o ataque. Nesta atitude revela-se um onze aberto, lento mas sem defensivismos exarcebados, tenta jogar e deixa jogar, dando muitos espaços.
AS ESTRELAS DE TIBLISSI
Nemsadze, o capitão da Geórgia

Para a equipa progredir no terreno existe uma condição indispensável: a bola passar pelos pés de Nemsadze. Ele é o patrão da equipa, um médio centro que organiza os movimentos do onze com sabedoria e tranquilidade. Aos 32 anos, o seu futebol pausado, cerebralmente lento, evidencia-se sobretudo pela sua notável capacidade de passe, desmarcando os avançados. 66 vezes internacional, capitão do Tiblissi e da selecção, fez grande parte da sua carreira no estrangeiro, regressando esta época á sua Geórgia após três épocas na Escócia, no Dundee. Antes, passara pelo Reggina (Itália), Grasshopers (Suíça) e Trabzonspor (Turquia). Todos os seus toques na bola são pensados previamente. Quando solta a bola, ela leva sempre indicações precisas sobre o caminho a seguir.
Kankava, o futuro

A maior promessa para o futuro do futebol georgiano: Kankava Jaba. Um interessante médio volante defensivo, que, apesar de ainda só ter 19 anos, revela já uma postura competitiva muito adulta, quer em tarefas de contenção, quer ao soltar a bola na saída para o contra-ataque. Avança sem medo no terreno, procura fazer girar a bola e é, ao mesmo tempo, o elemento mais agressivo do onze na sua recuperação. Internacional Sub-21, promovido esta época da equipa de reservas do Dinamo, já tem valor para jogar na principal selecção georgiana treinada por Giresse.
O MEIO CAMPO E O ATAQUE: A importância dos alas

Na dinâmica ofensiva da equipa, destaca-se o papel dos médios ala, tecnicamente dotados, dando profundidade atacante ao onze, procurando, muitas vezes, perto da área, espaços para rematar, centrar ou executar diagonais de apoio ao ponta de lança. É nesse espaço que actua o único estrangeiro da equipa, o brasileiro Cesar Romero, vindo esta época do Paraná., ocupando a faixa esquerda. O elemento mais talentoso, actua, porém, na direita, com o habilidoso Aladashvili, 21 anos, rápido e tecnicista, muito inteligente a procurar tabelas. Também destro, Kakladze, que também pode alinhar á esquerda (como fez em Newcastle), é, por sua vez, mais cerebral. Ambos recuam muito no terreno, para tentar marcar a meio campo, mas nenhum deles se sente vocacionado para essa missão. É quando o onze recupera a bola e tenta partir para o contra-ataque que melhor evidenciam as suas qualidades técnicas ofensivas, talvez o ponto mais forte do onze.
As armas ofensivas: Melkadze, Dvali e Gancharov
Na frente de ataque, o jovem técnico Gia Geguchadze, antigo adjunto do mítico David Kipiani, dispõe de três opções, variando a sua utilização consoante jogar com um ou dois avançados. Isto é, em 4x4x2 ou 4x2x3x1. Como nos jogos frente a adversários mais fortes tem tendência a optar por sistemas mais conservadores, com um só ponta de lança, o homem abandonado entre os centrais adversários é, preferencialmente, Melkadze, possante (1,86m. e 83kg.) e com grande mobilidade, sempre em busca de espaços vazios, mas tecnicamente limitado. Se jogar com uma dupla de avançados, poderão surgir, a seu lado, o jovem Dvali, 19 anos, saído este ano da equipa B, ou o esquivo Gancharov, contrado ao Sioni Bolnisi e que, em 99/00, alinhou no Arsenal, embora sem nunca passar da equipa de reservas. No final da época, Wenger acabaria por deixar partir a promessa georgiana que, antes, fora buscar ao TSU tiblissi com apenas 19 anos. Hoje, busca relançar a carreira no Dinamo.
O Esquema Táctico /
Sistema: 4x2x3x1