A sua forma de jogar, elegante, toque de bola perfeito, cabeça levantada e serenidade a cada passe ou remate, contrastam com a clássica imagem guerreira do jogador da América latina. Brian Ruiz é, porém, outro tipo de futebolista. Quase uma ironia de classe no futebol da Costa Rica. Chegou à Europa há já quatro anos, quando o Gent da Bélgica o descobriu no Aljulense, na pátria dos tico-tico, o nome que tornou célebre a selecção costa-riquense. Esta época, parecendo quase deslizar pelos relvados, abalou as estruturas do futebol das tulipas. Como a leveza técnica do seu futebol, levou pela primeira vez na história o Twente a campeão holandês. O seu duelo com Luiz Suarez, o uruguaio que é uma fábrica de golos no Ajax, foi dos mais fascinantes no futebol europeu esta época.
A Holanda continua a saber entender os jogadores com uma sensibilidade táctico-técnica invulgar. E a ordem é mesmo esta, porque, para além da qualidade técnica, impressiona a qualidade de movimentos que a maioria dos jogadores têm. Nota-se até nas equipas mais pequenas. Podem nem conseguir fazer o que pretendem, mas percebe-se claramente que o tentam e sabem posicionar-se. Chama-se a isto cultura táctica.
É a Liga onde as equipas ainda insistem mais nas variantes do 4x3x3. O Twente de Mclaren foi o exemplo perfeito dessa opção, embora sem a dinâmica típica do sistema com dois extremos. Mostrou sempre o clássico ponta-de-lança possante, N `Kufo, mas enquanto na faixa esquerda estava o rápido e esquivo Stoch, endiabrado no um-para-um (já tem contrato com o Chelsea) no outro flanco surgia… Ruiz. Ele não é, no entanto, um ala, longe disso, nem será verdadeiramente só um avançado. É um vagabundo da ligação entre meio-campo e ataque que, movendo-se a toda a largura dos últimos 30 metros, sabe ler os espaços na hora certa para passar ou surgir a rematar (fez 24 golos). Faz 25 anos em Agosto. Altura ideal para dar o salto. Claro que num campeonato mais exigente terá de aumentar a intensidade do seu jogo, mas a classe que revela, protege o seu futebol desses perigos mais físicos.
No coração do 4x3x3 de Mclaren, dos médios mais combativos à frente da defesa (onde se impôs a dupla de centrais Wisgerhof-Douglas). É o duplo-pivot Brama-Janssen. Agarraram sempre a equipa nas transições, soltando o veterano dinamarquês Perez, de 35 anos, para o apoiar o terrível trio atacante Ruiz-N`Kufo-Stoch, um cocktail ofensivo com estilos completamente diferentes.
Parece incrível um jogador como Luiz Suarez marcar 35 golos numa equipa, o Ajax (que fez 106!) não ser, no fim, campeão, mas a explicação é simples e está nas botas de Brian Ruiz, o conquistador tico-tico.
