Primeiro dia da época, o início da construção. O Benfica foi o primeiro dos grandes a voltar aos treinos, mas na entrevista que Jesus deu a A Bola na última semana, ainda se falava muito da época passada. Principal questão: a quebra física revelada na fase final. Jesus contestava que não existe questão física da equipa. Não há uma equipa fisicamente forte e outra fisicamente fraca. A junção na metodologia de treino passa pela componente táctica, essa é que faz a diferença na condição física.
Percebo a ideia de Jesus, mas uma leitura simplista da frase pode confundir muitos conceitos. Porque a questão física, como todas as outras no conjunto de uma equipa de futebol, não vive, de facto, sozinha, mas na génese sente a sua maior força ou fraqueza… isoladamente. O problema, depois, é o jogo. E, mais importante, a noção correcta de táctica.
A gestão/avaliação deve ser, sem dúvida, conjunta, mas a junção desses quatro suportes (técnico, táctico, físico e mental) da mesma mesa táctica que coloca de pé a equipa em campo, necessita de um equilíbrio que, embora trabalhado em conjunto, tem vidas/organismos próprios separados. Ou seja, é no transfer que existe de uns para os outros que reside a importância do conceito e obrigatoriedade de os contemplar em conjunto na construção do modelo de jogo da equipa ao longo da época.
Basta, porém, um desses suportes (25% do equilíbrio) estar deficitário para todo o conjunto da boa forma da equipa estar comprometido. Por isso, existem, de facto, equipas mal fisicamente, por definição. O que não existe é equipas só mal fisicamente no…jogo. Porque neste, o transfer (consequência) é imediato para o lado técnico, táctico e mental. Isto é, detecta-se o problema (vírus) que afecta o organismo global da equipa. O Benfica da época passada teve um evidente problema de ordem física que foi início de outros problemas dentro do jogo. Realidades cruzadas que nascem isoladamente dentro do mesmo corpo. Não partilho a ideia que é a tal forma de jogar mais vertiginosa que causou esse maior desgaste físico da equipa em contraste com outras. É a abordagem global de toda esta realidade num plano competitivo a top (isto é, disputar várias competições ao mesmo tempo) que está em causa.
A resposta está de facto na consciência que essa junção no treino faz-se pela componente táctica. Voltamos então à questão prévia decisiva. Qual é, afinal, a correcta noção de táctica? A melhor resposta é que táctica é a organização. Diversas dinâmicas em movimento, intencionalmente sincronizadas, com um plano macro mais visível, mas que, na base, tem os tais suportes (sujeitos aos referenciais colectivos) com uma causalidade muito própria. É a táctica como uma dinâmica constituída por várias subdinâmicas. Sustentabilidade cruzada (organização). Ou seja, a junção metodológica é importante, mas só com especificidade, onde entra o suporte físico, é que, depois, no jogo, a equipa pode ser capaz de, tacticamente, ter cabeça e pernas para…jogar.