Á DESCOBERTA DA LETÓNIA: A Jangada do futebol letão

April 30, 2004 12:00 AM
AS RAÍZES E OS PILARES DA RECONSTRUÇÃO DO FUTEBOL DA LETÓNIA:
Nas margens do Báltico, a história da Letónia atravessou séculos guiada pelo sonho da independência. Quando a URSS se desmoronou, o seu povo ergueu, finalmente, os símbolos nacionais antes submersos. Entre eles, orgulhosa, uma selecção nacional de futebol que, silenciosamente, abriu caminho rumo á elite europeia. Um trajecto utópico, culminado com o sensacional apuramento para o Euro-2004. Esta é a sua história.
Consciente que os seus sonhos não acompanhavam as suas capacidades reais, Gary Johnson cedo percebera que nunca seria uma grande estrela do futebol inglês. A sua paixão pelo jogo tinha, no entanto outros rostos e caminhos. Viajante compulsivo desde “little boy” correu meio mundo com grupos de companheiros. Por todo o lado, fez amigos e conheceu pessoas, quase todos eles com a paixão pelo futebol em comum. Andou pelos EUA, esteve envolvido na venda de bilhetes para o Mundial-94, passou uns tempos em Los Angeles, travou amizade com um grupo de empresários desportivos na Suécia, criou uma colónia de férias de futebol e fundou uma associação para organizar eventos relacionados com o futebol em escolas e cidades por todo o mundo. Nos tempos em que regressava á sua Inglaterra, ia jogando por clubes amadores. Nada de muito importante. Nunca ficava por muito tempo. Esteve no Newmarket como jogador e manager, passou por outros locais, até que um dia, mais calmo, estabeleceu-se como jogador-treinador do Cambridge. Era um trabalho aliciante, sobretudo, porque, como gosta de dizer, não havia nada, nem dinheiro para comprar o que quer que fosse. Por isso, tinha-se de fazer tudo. É essa a única forma de criar um verdadeiro espírito de grupo, empenho e compromisso entre as pessoas em torno de um objectivo.
Aos poucos, o seu trabalho foi sendo observado. Por essa altura, Graham Taylor, homem metódico, experiente personagem do futebol inglês, era manager do Watford. Astuto, reparou na devoção e nas capacidades de Jonhson, convidando-o para responsável pelo departamento de formação e recrutamento –o chamado “youth system”- do clube de Elton Jonh. A sua função era descobrir e formar jogadores desde os escalões jovens até á primeira equipa. Percorria todo o país em busca desses talentos nos locais mais inóspitos. Outras vezes, viajava, via jogos noutros países, passava temporadas no leste, sempre a ver futebol. Foi numa dessa alturas que, durante um torneio indoor disputado em Moscovo, ficou cativado por um pequeno avançado que jogava por uma equipa formada por um grupo de jogadores vindos de um clube da Letónia, o Skonto Riga. O seu nome era Marian Pahars. Pensou nele para o Watford, mas segundo Johnson ele tinha, sem dúvida, capacidades para jogar num clube da Premiere League, pelo que o recomendou ao seu amigo Dave Jones, á época manager do Southampton, que logo se mostrou interessado em o observar. Assim foi. Contactado pelos directores do “Saints”, o artilheiro letão rumou á Velha Albion. Fez um jogo de experiência, frente ao Oxford e, perante o sorriso matreiro de Jonhson, “eu não disse?”, fez três golos: pé direito, esquerdo, e de cabeça. O passo seguinte, claro, foi assinar contrato. Ao principio, a Federação inglesa negou-lhe o “work permit”, a autorização de trabalho, previsto nos regulamentos ingleses segundo o qual um jogado estrangeiro fora da comunidade só pode ingressar num clube da I Divisão se tiverem já disputado, pelo menos, 75% dos últimos jogos da sua selecção nacional. Após dois recursos indeferidos, acabou, finalmente, em Março de 1999, por obter a desejada autorização.

RECORDANDO OS REMOTOS ANOS 30: Baú de memórias

Nessa mesma altura, nos confins da Europa, na emergente região balcânica, um homem lutava por reconstruir o futebol do país que, durante longos anos de ocupação soviética, fora forçado a abandonar, vivendo exilado na Bélgica: Janis Mezeckis, o sonhador que, desde a hora do seu regresso, em 1993, impulsionou o renascimento da Letónia como nação futebolisticamente independente. Antigo jogador e treinador em vários clubes letões, Mezeckis tinha, no entanto, uma missão quase impossível á sua frente. O atraso estrutural era gigantesco. A nível de mentalidade, por sua vez, existia um terrível complexo de inferioridade. Historicamente devastada ao longo de sucessivos séculos por distintas ocupações estrangeiras, desde os longínquos Séc.XIII a XV, sob domínio germânico, passando pelo período sueco, no Sec.XVI, até á anexação russa, nascida desde o Sec.XVIII, a Letónia, e o povo que secularmente ocupou o seu território, viveu sempre com a sua própria identidade sufocada. Após longos séculos de lutas, o primeiro grande momento de afirmação nacional da era moderna, sucedeu nos princípios do Sec.XX, em 1918, após o fim da primeira grande guerra mundial, quando, por fim, na sequência da retirada das tropas russas e alemãs, foi decretada a independência da Republica da Letónia, internacionalmente reconhecida três anos depois, em 1921, pela Liga das Nações. Dentro dessa atmosfera nacionalista que percorreu todo o seu pequeno território -plantado nas margens do mar Báltico, com uma exígua superfície de 64,589km2, onde habitam hoje cerca de 2 milhões e meio de pessoas – o futebol também ganhou o seu espaço e, no mesmo ano, foi fundada a Federação de Futebol da Letónia que, nos primeiros tempos, se limitou apenas a competir com as nações vizinhas e irmãs, Estónia e Lituânia, disputando, as três, a célebre Taça Balcânica.
Nos anos 30, a Letónia chegou mesmo a participar na fase de apuramento para o Mundial 38. Os registos rezam que tinha uma boa equipa, onde brilhava um perigoso avançado chamado Fricis Kaneps. Foi ele que liderou a equipa, num histórico jogo de qualificação, em Viena, frente á poderosa selecção da Áustria. Apesar da derrota, 1-2, as esperanças estavam intactas para o segundo jogo, na Letónia. Vasculhando nos arquivos, porém, não se descobre nem rasto desse encontro da segunda mão. Talvez devido á anexação alemã do território austríaco, na alvorada da segunda guerra mundial, ele, misteriosamente, nunca se disputou. Para a história, fica o registo do jogo de Viena. Os anos seguintes trariam de volta o sofrimento ao território da Letónia, de novo invadido logo após detonar o conflito mundial, primeiro pelo aterrador exército nazi e depois pelas tropas russas que, após um primeiro tempo em que todos os viram como libertadores, de seguida se tornaram numa nova potência ocupante, de tal forma que, finda a guerra, a Republica da Letónia passaria a fazer parte da imensa URSS. Era o inicio de mais um longo período de ocupação, 40 anos, com a sua bandeira submersa pelos símbolos soviéticos. Perdida a independência, a selecção da Letónia deixou de existir internacionalmente, sendo os seus clubes integrados no quadro competitivo da URSS. A Taça Balcânica ainda se continuou a disputar, esporadicamente, mas a sua expressão fora da região era nula. Como principal emblema, nas provas soviéticas, destacou-se o FK Daugava Riga, que, em 1977, atingiu a Primeira Divisão da União Soviética.

MEZECKIS E JONHSON: O nascer do “Clube Letónia”

Foram quatro décadas de total ostracismo futebolístico e social. Quando, desintegrado o velho império soviético, na alvorada dos anos 90, a Letónia resgatou a sua independência, em Setembro de 1991, toda a nação vivia presa a um atraso estrutural secular. Após longos anos sob a sombra tutelar dos sovietes, era tempo de reaprender a andar sozinha. Na hora de voltar a entrar no edifício da Federação, Janis Mezeckis deparou-se com uma casa fantasma, sem telefone, fax, e a electricidade a acender e a apagar. Não existiam sequer equipamentos. No dia em que tentou reunir, de novo, um grupo de jogadores para formar a selecção nacional, cada um deles surgiu no treino com uma camisola diferente trazida de casa. Decidido, Mezeckis patrocinou a compra de equipamentos e, aos poucos, foi dando um rosto á sua selecção. Os anos foram passando, as paredes reergueram-se, a relva cresceu, os sorrisos foram-se abrindo e a esperança voltou a fazer sentido para o povo e o futebol letão. Não existiam, porém, no país, treinadores com experiência internacional para ensinar algo a esses jogadores e abrir-lhes os horizontes do cenário competitivo internacional. No cargo, Revaz Dzodzuashvili dava o seu melhor, mas o cenário triste permanecia imutável. Foi então que sucedeu a surpreendente transferência de Pehars para o Southampton. Quando Mezeckis soube quem estivera na base dessa descoberta, logo quis falar com esse astuto olheiro. Imbuído do seu inato espirito de aventura, Jonhson, então com 45 anos, rumou á Letónia. Conversou sobre futebol, viu o país, conheceu pessoas e, destemido, aceitou o repto: tornar-se seleccionador da Letónia com o objectivo de reformular todas as suas estruturas orgânicas, mentais e competitivas. Corria o verão de 1999. Apesar dos fracos resultados obtidos dentro das quatro linhas, Johnson identificou, com precisão os problemas do futebol da Letónia e a forma de os atacar, construindo, ao mesmo tempo, as bases para, no futuro, ele progredir e assumir-se na cena internacional, longe de ser um mero figurante á espera de ser goleado. No fundo, era fazer o mesmo que fizera em Cambridge ou no Watford, só que numa escala maior. Desenvolver um sistema detecção, formação e treino que permitisse, por todo o país, descobrir e, depois de criar as condições essenciais, explorar as capacidades desses talentos escondidos. O resto era revolucionar a mentalidade perdedora e criar espirito de grupo. Em suma, uma espécie de “Clube Letónia”, como lhe chamou Johnson. Foi difícil, no entanto, despertar o entusiasmo para o futebol por parte de uma população desde sempre mais cativada por outros desportos como o Hockey sobre Gelo, o Atletismo ou o basquetebol.

Um novo estilo e a Europa descobre a Letónia

Com o empenho de Mezeckis e Jonhson, foram surgindo novas estruturas. Apesar do pouco apoio estatal, criaram-se campos de treino, piscinas, escolas de futebol, relvados indoor para o inverno, e, entre outras iniciativas, melhorou-se o departamento médico. Uma das principais dificuldades para formar uma forte selecção residiu no facto do campo de recrutamento ser muito curto, situação que ainda hoje permanece. Apenas existem oito clubes profissionais na Letónia, disputando todos a I Divisão, com o mesmo numero de participantes. Nos últimos tempos, em termos de competições europeias, o clube mais falado é o Skonto Riga, campeão por 13 épocas consecutivas, desde 1991 a 2003. Outros emblemas que, nas últimas épocas, têm lutado pelo titulo são o FK Ventipils e o Liepajas Metalurgs. Tendo como base o onze do Skonto Riga, cujos seus jogadores possuem maior experiência internacional, Jonhson procurou dar um novo estilo á selecção que, á data da sua chegada, ainda estava demasiado preso ao velho estilo de leste dos anos 60, muito rígido tacticamente. Os jogadores, tecnicamente fracos, quase tinham medo de ter, durante muito tempo, a bola nos pés. Com tempo, a equipa foi respirando melhor e na fase de apuramento para o Europeu-2000, a Letónia surgiu como maior confiança, praticando um futebol mais solto, ora de passe em profundidade, ora de estilo apoiado.
Progressivamente, os resultados começaram a acompanhar essa maior dinâmica competitiva. Entre os maiores feitos, destacam-se, em 1999, uma vitória na Grécia (1-2) e, já em 2000, um triunfo, em Riga, sobre a Finlândia. A maior proeza de Jonhson residira, porém, em recolocar a Letónia no mapa da Europa futebolística, ao ponto de muitos dos seus jogadores passarem a ser conhecidos fora da região balcânica. A transferência de Pehars fez muitos outros clubes, virar atenções para a Letónia, onde, como Gary Jonhson não se cansava de dizer e aconselhar a todos os directores de clubes ingleses, existiam muitos outros talentos com categoria para jogar no futebol inglês. Assim, nesse período, seguindo as pegadas de Pehars, outros jogadores letões receberam convites para jogar em Inglaterra, destacando-se, nesse grupo, o ala esquerdo Rubins e o guarda redes Kolinko , então transferidos para o Crystal Palace, o avançadoo Stolcers (Fulham), o médio centro Astafjevs (Bristol), o ala direito Bleidelis (Southampton) e, como principal sensação, o defesa Stepanovs, indicado por Wenger reforçar o sector defensivo do Arsenal, em 2000/01. Embora muitos não lograssem impor-se como grandes figuras das primeiras equipas para onde rumaram, a sua simples inclusão num futebol mais desenvolvido, noutro quadro competitivo e com possibilidade de jogarem contra adversários muito mais fortes, permitiu abrir novos horizontes ao chamado núcleo central da selecção, despertando um novo orgulho nacional entre a população pela sua selecção nacional. Na base de alguns desses relativos insucessos, esteve a falta de experiência e maturidade de todos estas estrelas balcânicas. Stepanovs, por exemplo, começou bem no Arsenal, mas acabaria por ser vítima de uma má exibição, contra o Manchester United, quando foi encarregue de marcar Dwight Yorke. Confundido com a velocidade do “diabo vermelho”, Stepanovs nunca acertou os tempos de marcação e, no final, foi apontado como principal responsável pela estrondosa goleada sofrida em Old Trafford: 6-1! Apesar de nunca mais ter voltado a merecer a confiança de Wenger, soube levantar a cabeça e hoje, as 28 anos, joga na Bélgica, no Beveren. O guarda redes Kolinko, por sua vez, começou como titular no Crystal Palace. As boas defesas seriam, no entanto, esquecidas quando o treinador Trevor Francis não lhe perdoou o facto de, num jogo em que ficou no banco, se ter ficado a rir após a equipa sofrer um golo contra o Bradford.

O SENSACIONAL ONZE DE STARKOVS, O TÉCNICO, E VERPAKOVSKIS, O GOLEADOR

Em Abril de 2001, após um decepcionante empate, em casa, frente a S.Marino, Jonhson sentiu que era hora de partir. O seu trabalho estava terminado: as bases da refundação do futebol da Letónia estavam lançadas e a sua selecção já conquistara um espaço no cenário internacional, longe das grandes potências é certo, mas liberto da imagem daquele adversário fácil que seria inevitavelmente derrotado. Confirmando a independência do seu futebol, o homem escolhido para ocupar o cargo de seleccionador nacional seria uma antigo jogador e internacional da Letónia, desde 1998 já nos quadros técnicos da selecção, como adjunto de Dzodzuashvili, primeiro, e de Gary Hohnson, depois. Seu nome: Aleksandrs Starkovs. Nos seus tempos de futebolista, fora uma referência do FK Daugava Riga, o maior clube da Letónia nos anos 70, altura em que Starkovs, perigoso avançado, deu nas vistas e foi contratado pelo poderoso Dínamo de Moscovo. Depois de pendurar as botas, tornara-se treinador-adjunto no seu clube do coração, o Daugava. O grande passo surgiria, porém, no momento em que, após a independência, se tornou treinador principal do Skonto Riga. Com ele no banco, o clube conquistou títulos atrás de títulos, pelo que o convite para seleccionador nacional foi perfeitamente natural. Quando assumiu o cargo, no entanto, estava longe de imaginar a grande proeza que se seguiria na fase de apuramento do Euro-2004. Lograr o passaporte para Portugal, era, na hora do pontapé de saída de um grupo onde também estavam Suécia, Polónia e Hungria, apenas uma mera utopia. O primeiro grande momento em que a Europa da bola sentiu que podia estar a nascer algo de surpreendente na Letónia, surgiu quando, em Outubro de 2002, no segundo jogo do grupo, o onze de Starkovs foi, a Varsóvia, derrotar a Polónia de Boniek (0-1). Na senda da utópica qualificação, seguiram-se trunfos sobre e, no último jogo da poule, uma histórica vitória em Estocolmo, sobre a Suécia (0-1). Apesar desta notável campanha, poucos acreditariam, porém que lograsse afastar, no derradeiro play-off de apuramento, a poderosa Turquia. Após uma aparentemente escassa vitória em Riga (1-0), o impossível sucederia, uma semana depois, no inferno de Istambul, quando após estar a perder por 2-0, a Letónia chegaria, sensacionalmente, ao empate (2-2), logrando o apuramento através de uma exibição personalizada na qual, desde logo, se destacou um nome como novo símbolo do emergente futebol letão: Maris Verpakovskis.

Verpakovskis e Pahars: estrelas da Letónia

Com 24 anos, nascido em Liepaja, Verpakovskis é um médio ofensivo que, no decorrer da carreira, explorando a sua velocidade e astúcia perto e dentro da área, se tornou num perigoso avançado, exímio para actuar em sistemas de contra-ataque, como o homem mais adiantado num esquema de 4x5x1, o estilo que desenha a actual selecção da Letónia. No inicio da época passada chegou a estar á experiência no Wolverhampton, mas ninguém acreditou que ali estivesse um jogador no qual valesse a pena apostar. Hoje, depois de brilhar no apuramento para o Euro-2004, é um dos nomes mais falados no mercado de transferências europeu. Esteve a um passo do Arsenal, falou-se no Olympiakos, mas, no final, resolveu permanecer a leste, assinando um contrato de cinco anos com o Dínamo de Kiev. Verpakovskis pode ser hoje, internacionalmente, a sua grande estrela, mas, na Letónia, o homem em quem todos confiam e olham nos momentos mais difíceis, desde o seleccionador ao simples adepto, continua a ser Pahars, o grande percursor do futebol letão além-fronteiras. Durante a fase de apuramento, martirizado por sucessivas lesões, pouco jogou. Nos dias que antecederam o decisivo jogo na Turquia, porém, Starkovs não hesitou em o chamar. Ele era fundamental no grupo, nem que estivesse com a perna em gesso. A sua simples presença motivava a equipa, os adeptos e a imprensa. No jogo, Pahars só entrou a poucos minutos do fim. A sua influência, no estado de espirito do onze, seria, no entanto, decisiva para a proeza lograda. Curiosa, a comunidade futebolística internacional começou a olhar para os jogadores da exótica Letónia. Num ápice, descobriu uma equipa com muitos pontos de interesse. Embora o maior número de jogadores ainda alinhe na Letónia, existe já um vasto contingente a actuar no estrangeiro, apesar de, em muitas situações, como nos primeiros tempos de emigração, não serem titulares indiscutíveis nos seus clubes. Não seria esse convívio assíduo com o banco de suplentes que lhes retiraria, porém, confiança para surgirem com grande personalidade na hora de vestir camisola vermelha da sua selecção. Observando, á lupa, o 4x4x2 ou 4x5x1 de Starkovs, reparamos que, entre os postes, emerge o seguro Kolinko Rostov, Rússia), um guarda redes discreto mas eficaz. Na defesa, impõe-se a experiência de Stepanovs (Beveren, Bélgica) e Zemlinskis (Skonto Riga), ao lado de Zirinis (Metalurgs Lipaja) e Isakovs (Skonto Riga). Como principal elo de ligação com o meio campo, destaca-se a saber táctico de Astafjevs (Admira, Áustria), apoiado por Laizans (CSKA Moscovo, Russia), ambos muito inteligentes a apoiar o ataque, onde brilham Verpakovskis (Dínamo Kiev), Pahars (Southampton) e, como principal alternativa, Prohorenkovs (Maccabi, Israel). Nas alas, os homens com a missão de abrir o jogo nos flancos são, na direita, Bleidelis (Viborg, Dinamarca), e, na esquerda, Rubins (Shinnik, Russia). Todos eles, juntos, construíram este sonho de futebol letão. De regresso á sua Inglaterra, Gary Johnson é hoje treinador do Yeovil Town, um clube da III Divisão inglesa. Na hora em que a Letónia conquistou o histórico apuramento para o Euro-2004 sentiu, no entanto, que muita dessa proeza tinha a sua assinatura...
Marian Pahars (Southampton, Letónia)

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