É a reacção/atitude que melhor define a abordagem do jogo de uma equipa. Penso no momento de perda da bola (sobretudo em zonas mais adiantadas). Nessa altura, pode optar por dois comportamentos-tipo. Ou recua e procura organizar o posicionamento defensivo, fechando os espaços, Ou mantém posições e pressiona logo o adversário, tentando recuperar a bola o mais rápido possível. Portanto, perante a perda da bola, para os seus jogadores reagirem, o treinador pode gritar: “organizava!” ou “pressiona!”
São palavras sobretudo para os médios ou jogadores que ocupam o meio-campo, como os alas que recuam. Ambas são, obviamente, legítimas. Depende dos conceitos. Nenhuma outra condiciona tanto a colocação e atitude táctica da equipa. Claro que esta opção também depende das equipas e do jogo (confronto de forças). É mais lógico ver a atitude de pressão imediata (necessariamente pressão alta) numa equipa grande. É mais natural ver a reacção de organização numa equipa com menos dimensão. Mas isto não é necessariamente imperativo. A organização pode ser mantida em pressão alta, mas se a qualidade superior do adversário superar essa primeira zona de pressão e, então, encontrar a organização…desorganizada posicionalmente é um risco enorme.
Há treinadores que, porém, têm essa opção perfeitamente definida na sua concepção de jogo. No Benfica (como já fazia no Braga), Jesus ordena automaticamente que a equipa pressione, recuperar logo a bola. Domingos, por exemplo, via-se no Braga, pede sobretudo para a equipa se organizar quando perde a bola e activar as coberturas. Por isso, o seu Braga tinha os alas/extremos que melhor defendiam no campeonato e a equipa, jogando melhor ou pior, nunca perdia…organização. No Sporting, penso que alguma indefinição nas tais transições entre esses momentos de organização, ainda deixa a equipa hesitante entre pressionar ou organizar. O meio-campo duvida e a defesa sente mais isso.
A Supertaça foi, nesse sentido, outro exemplo para perceber esta diferença entre equipas em apenas duas palavras. O FC Porto tem um 4x3x3 de pressão alta notório (Vítor Pereira pegou na equipa no ponto onde Villas-Boas a deixou). Perdia a bola e caía logo em cima da linha de 4 do Vitória. Ao invés, Manuel Machado é, conceptualmente, um treinador de organização. Perdida a bola, a equipa baixa automaticamente linhas, deixava defesa e médios portistas sair a jogar, preferindo antes fechar os espaços no seu meio-campo defensivo. Receava que uma pressão imediata abrisse espaços nas costas e, por isso, renegava-a em nome da organização. Em termos físico/tácticos a atitude de organização é mais desgastante. Obriga a maiores avanços e recuos dos jogadores. A de pressão, mesmo que constante, mantem o jogador com o radar reactivo sempre em locais próximos, evitando deslocamentos constantes atrás e à frente. Em suma: basta mudar uma palavra, para…mudar tudo.