A equipa num "beco sem saída táctico"

January 29, 2012 12:01 PM
Quando não se descobre o "6" desejado a solução passa por criar um "8". Pensando o jogo/problemas do Sporting

Descobrir o melhor lugar para um jogador não é uma questão de resposta única. Mais do que o valor concreto desse jogador, depende da concepção do treinador para cada posição no conjunto da equipa. Depois de um ciclo de clara evolução de jogo, o Sporting despenhou-se tacticamente a partir do meio campo nos últimos jogos. A vontade de encontrar um clone de Rinaudo chocou contra a dimensão de todos os outros jogadores que Domingos via no plantel para jogar nessa posição.

Carriço ou Renato Neto podem, num relatório de observação, ter notas elevadas em termos de intensidade, pressão ou choque, mas enquadrar tudo isso com a relação bola-jogo é outra coisa. Nenhum deles é capaz de «falar tacticamente» com o resto da equipa em termos de passe e posse/condução de bola. Sem resolver esta equação dentro do seu 4x3x3, o onze perdeu a que se agarrar em campo e a defesa ficou novamente exposta às suas limitações. Face à dificuldade (impossibilidade) em encontrar um nº6 com a cara de Rinaudo, intriga-me que, para tentar fugir do beco sem saída táctico em que a equipa cai durante os jogos, Domingos não procure um...nº8. Sempre os teve nas suas anteriores equipas.

É verdade que este Sporting também será, em comparação com outras equipas suas, a que procura pressionar mais alto e recuar menos em organização se pensar no comportamento do alas e médios. Com essa opção, procura matar a transição adversária o mais cedo possível e, assim, impedir, por um lado, que o adversário chegue com a boal dominada na cara das fragilidades da sua defesa (obrigando o adversário a jogar mais em passe longo) e, por outro, resolver a dificuldade de construção desde trás, dando maior poder de recuperação de bola em zonas muito adiantadas (a chamada contra-transição que mata a transição adversária). Schaars e Elias revelaram-se fortes nesse papel. Foi esta a ideia de jogo do mais forte Sporting esta época.
A partir do momento em que esta ideia perdeu a âncora 6 e começou a duvidar da pressão tão alta sem ideia consistente atrás (em Braga inverteu mesmo o triangulo do meio-campo com Matias) todo o processo táctico do onze despenhou-se. Para além da questão do nº6, o problema é não existir um...nº8. Uma comissão de serviço táctico que Schaars poderia fazer (passando a definir melhor três linhas a meio-campo, tornando jogadores/sector mais junto) ou, até, numa reciclagem táctica que iria mais ao encontro das suas características, André Santos, mais um nº8, longe do perfil de nº6 mordedor como Domingos quer.

A maior parte dos jogadores do Sporting pode pensar bem o jogo, mas falta-lhes capacidade para passar tudo isso para a relva. Sabem estar quietos no seu lugar (sentido posicional) mas depois o jogo...move-se. Sem clones disponíveis, a solução é desenhar outras ideias para não cair 90 minutos atrás de 90 minutos num autêntico beco sem saída táctico.

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