A sua primeira aparição no grande Calcio, foi com a bela Udinesse de Amoroso, Bierhoff e Poggi, 3ª classificada em 97/98. Na época seguinte, guiou o Milan ao titulo, com a dupla Bierhoff-Weah no ataque. Ambas as proezas em 3x4x3. Uma tese ofensiva resgatada no actual Inter que encontrara, á 6ª jornada, finda a era-Cuper, totalmente desmembrado. Inserida no novo design táctico, o onze tornou-se mais curto e coeso, sem receio de assumir o jogo, em contraste com a squadra longa do passado que especulava com ele.
Partindo da defesa a «3» Córdoba-Materazzi-Cavanavaro, a equipa procura activar o jogo pelos flancos, sobretudo, através dos laterais. É ai que surge o primeiro problema, face á descompensação entre a faixa direita, onde mora o furor de Zanetti, e o lado esquerdo, onde falta a Kily Gonzalez velocidade em longa distância. É um jogador perigoso em ataque continuado, mas não possui chegada vindo de trás, preferindo antes, quando em zonas recuadas, flectir o jogo. Se, por um lado, o sistema torna um onze mais dinâmico ofensivamente, por outro, quando sem a bola, abre muitos espaços sobre as faixas nas costas dos laterais, sobretudo se apanhado em contra pé, como sucedeu, em casa, contra o Arsenal.
Com a zona central controlada pela dupla C.Zanetti-Emre, a principal inovação surge no tridente atacante, agora menos dependente de Vieri, devido ao maior adiantamento de Van der Meyde, fazendo assim as diagonais, com ou sem bola, mais perto da área, e, sobretudo, ao novo papel de Julio Cruz (ignorado por Cuper), a grande descoberta de Zaccheroni. Depois de um carreira como nº9 clássico, surge agora descaído sobre a esquerda, ora abrindo a frente de ataque, ora verticalizando jogo ou triangulando com Vieri, que, muitas vezes, na dinâmica deste sistema, deixou de estar fixo entre os centrais como no passado, passando a recuar no terreno para abrir espaços de penetração a Cruz ou Van der Meyde. A mesma filosofia mantêm-se se jogar o veloz Martins. Para a eficácia total do sistema, falta a Zacheronni, porém, um nº10 ou um trequartista, como foi Boban no seu velho Milan, para servir de referência na organização e circulação de jogo. Um problema de base não resolvido com Emre ou Recoba, mas compensado com o jogo posicional de Cruz, Vieri ou Martins.