A inteligência ao poder

10 de Maio de 2010 15:45
O melhor avançado do mundo a mover-se sem bola. Perseguindo Forlán e a sua fórmula perfeita para chegar ao golo

 

Muito provavelmente, é o melhor avançado do mundo a movimentar-se sem bola. Isto é, a mover-se para descobrir o espaço certo onde entrar ou, noutra vertente, arrastar marcações e abrir espaços para outros jogadores. É o estilo de Forlán. A Final da Liga Europa foi a expressão máxima deste estilo, desenhado com dois golos de grande instinto, que deram o Taça ao At. Madrid.
Durante toda a época, criticou-se muito o jogo da equipa. Que defendia mal e valia só pelos valores individuais do ataque. É uma analise demasiado simples. Este At. Madrid joga, afinal, em termos de estrutura táctica (4x4x2 clássico) e princípios de jogo fundamentais, como jogam a maioria das equipas espanholas. Adeptas duplo-pivot defensivo, soltam dois avançados móveis no ataque e, na segunda linha do meio-campo, em vez de um médio centro ofensivo clássico, preferem encostar de início dois homens nos flancos, pedindo depois a pelo menos um deles (em geral um médio centro desviado para a faixa) para fazer diagonais de aproximação à zona central entre-linhas nas costas dos avançados. Quique já jogava assim no Benfica. Repetiu-o no At.Madrid.
 
A meio-campo, Assunção e Raul Garcia (o duplo-pivot) seguram a equipa atrás, mas, na segunda linha, é apenas quando Forlán se move para vir buscar jogo atrás (ou Aguero recua um pouco para fugir às marcações) que esse espaço central é melhor ocupado. Com estes dois avançados (sobretudo os movimentos sem bola de Forlán), Simão fica limitado para fazer as suas diagonais. Por isso, Quique tentou meter Jurado, um médio-centro 10 de origem, mas que sabe ir para dentro doutra forma, sem uma diagonal muito clara, leva a bola mais colocada ao pé, temporizando a hora do passe. Simão, quando arranca, já leva antes o remate na cabeça.
Pode ser um paradoxo, mas este At.Madrid (apesar dos estrangeiros) traduz mais o estilo táctico-futebolístico que domina os relvados espanhóis do que o idolatrado toque do Barça e da selecção. Nesse sentido, Quique é hoje um treinador demasiado espanhol. E nesta palavra «demasiado» entenda-se a sua pouca abertura a outras variantes tácticas. É algo estranho, pois antes, no Valência, mostrara mais versatilidade táctica (o 4x2x3x1, por exemplo). No At.Madrid foi de encontro às características dos jogadores, mas vendo a forma como o lutador, mas rudimentar, Fulham ocupou (e ganhou) o corredor central do meio-campo durante a maior parte do jogo, viu-se como o 4x4x2 clássico pode, no centro, partir a equipa na ligação meio-campo e ataque. Só um jogador com a inteligência de Forlán a podia salvar. E, neste caso, já só quando a bola entrava nos últimos 30 metros. Foi o que bastou. 
 

 

 

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