A ITÁLIA DE LIPPI: CINCO JOGOS, CINCO TÁCTICAS:

14 de Outubro de 2004
Marcelo Lippi. Encara as quatro linhas como se estivesse frente a um tabuleiro de xadrez. Mexendo as peças, vai desenhando sucessivas variantes tácticas. Em cinco jogos, a sua Itália, utilizou cinco módulos diferentes. Alterações que emergem de lacunas técnicas do onze, mas, também, da tradicional inconstância táctica de Lippi
Esta mudanças não implicam, porém, que não revele coerência táctica na abordagem do jogo. As variantes incidem sempre sobre as duas linhas mais adiantadas, meio campo e ataque. Tirando um curto ensaio fracassado na Juventus, a defesa é sempre escalada na clássica linha de «4». Na selecção, já utilizou cinco esquemas diferentes, desde o 4x3x1x2 adoptado no particular na Islândia (D. 0-2) até aos jogos para o Mundial: Noruega (V.2-1): 4x4x2 que, na dinâmica, aproximava-se de uma espécie de 4x4x1x1, visto o segundo avançado, Miccoli jogar sempre nas costas do ponta de lança Gilardino, depois, com as subidas dos alas (Fiore-Zambrotta), desenhava um 4x2x3x1; Moldávia (V.1-0): 4x3x2x1, com Pirlo como regista recuado, ao lado de Gattuso e Ambrosini numa linha de contenção de três elementos. Neste sistema, saiu um ala, ficando apenas Diana aberto na direita, enquanto Del Piero descaiu para a esquerda, onde partia, depois, em diagonais de apoio ao ataque. Eslovénia (D.0-1), num falso 4x4x2, pois, em campo, Totti jogava muito recuado, pelo que, na prática, tratou-se de um 4x2x3x1, com uma nova dupla de trincos (Gattuso-De Rossi). Bielorússia (V.4-3). 4x4x1x1, desta vez com Totti mais perto de Gilardino, num jogo que confirmou a nota mais positiva deste novo ciclo: o volante De Rossi. Um médio como há muito não se via no Calcio, pela técnica, atitude atlética, roubo de bolas, visão de jogo e, sobretudo, poder de remate quando surge na segunda linha do meio campo, perto da área. O maior problema, origem principal das alterações, reside nas faixas. Faltam médios-ala de grande categoria no Calcio actual. Nesse espaço, Lippi já testou Fiore, Camoranesi e Diana, á direita, e, á esquerda, Zambrotta (que subiu de lateral) e Esposito, ala direito de origem que começou á esquerda na Eslovénia, embora depois trocasse com Camoranesi, passando um destro para a esquerda, recuperando Esposito o seu lugar natural, numa confusão posicional que impede o onze de solidificar um circuito preferencial de jogo. A importância dos alas é crucial devido ao facto de Lippi jogar, preferencialmente, só com um ponta de lança. Neste contexto, a melhor solução, poderia ser Camoranesi, na direita, e Zambrotta, um ambidestro que começou na direita, mas que já se habituou á esquerda, zona onde a Itália não tem, hoje, um grande médio para ser titular indiscutível da selecção.

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