Histórico refúgio de um futebol técnico e aguerrido, a Sérvia, herdeira natural da velha Jugoslávia, está a um passo do apuramento para o Mundial-2006. Em relação ao ultimo fôlego da selecção da antiga união, extinta em 92, poucos contactos existem em termos de estilo de jogo. Nessa altura, os amantes do bom futebol perderam a hipótese de ver a evolução de uma das mais fascinantes equipas de final de século. Savicevic, Stojkovic, Prosinescki, Pancev… Sérvios, croatas e bósnios. Todos unidos em torno do bom futebol. Os seculares ódios étnicos impediram, porém, a consagração deste sonho de futebol. Treze anos depois, a selecção da Sérvia-Montenegro apresenta um jogo menos adornado e sedutor. Pelo menor valor individual dos intérpretes e, também pela estrutura essencialmente defensiva montada pelo seleccionador Ilija Petkovic, que substituiu no cargo Savicevic, o maestro cigano dos anos 90 que entretanto trocara o relvado pelo banco.

Sistematizando-se em 4x5x1 ou em 4x4x2, dependendo de jogar com um ou dois pontas de lança, o onze actua quase sempre –sobretudo nos jogos mais difíceis, como contra a Espanha- com uma excessiva distância entre linhas meio campo-ataque. Contra a Espanha, jogou, em Belgrado, com dois avançados (Kezma-Milosevic). Em Madrid, jogou fechado atrás, com três centrais muito sólidos (Vidic-Krastajic-Gavrancic), laterais a subir (Koroman-Dragutinovic) e só um ponta-de-lança. desterrado na frente (Kezman), só metendo o segundo (Zigic) depois de estar a perder, mas sem mexer no modelo de jogo, pois manteve o jogo directo, com passes longos para a cabeça dos 2,02 metros do gigante Zigic. Na dinâmica táctica, privilegiou, no entanto, sempre o contra-ataque. É, por isso, que o meio campo assume papel decisivo. Quanto mais rápidos e maior vocação ofensiva tiverem os seis membros melhor evolui o modelo de jogo. Regra geral, quando sai um avançado, entra, mais um médio ofensivo (Ilic), com um organizador (Stankovic), apoiado por Duljaj, enquanto Ilic ficava mais perto de Kezman, mas, devido ás linhas estarem muitos recuadas, raramente apanhava uma bola em zonas de criação, capaz de criar perigo. Neste contexto, acaba sempre por emergir o verdadeiro playmaker do onze, mesmo vindo de um flanco: Djordjevic. No fundo, o onze parte do equilíbrio defensivo, mas, tacticamente, com picardia e técnica, controla quase sempre os jogos, embora sem nunca os dominar.