Definir uma equipa como ofensiva ou defensiva não é uma questão do número de defesas ou de meter muita gente a atacar. É, sobretudo, numa visão global, uma questão de posicionamento, relação entre presença numérica atacante e defensiva. Existem várias equipas no Planeta do futebol para observar esta ideia, mas onde tal se torna mais visível é quando esses princípios de jogo resultam de um processo de transformação. O At. Madrid, de Manzano para Simeone é um bom exemplo dessa mudança de comportamento táctico.
No papel, não mudou o seu sistema táctico, mas o posicionamento da equipa a entender melhor essa organização de jogo global incorporou novos princípios. O upgrade táctico deu-se, neste caso, sobretudo no comportamento táctico sem bola dos seus avançados. Ou seja, não mexeu no numero de avançados que, só de os contar, logo a levavam a rotular de equipa ofensiva: Diego, Arda, Salvio, Reyes (que saiu para o Sevilha), Adrian, Falcão... Uma equipa de ataque sem...médios (ficavam Tiago e Mario Suarez ou Gabi) que, no jogo, nunca estava equilibrada para defender e atacar simultaneamente, vendo o jogo como natureza táctica inquebrantável. Partia-se em dois momentos. Atacava com perigo, descompensava-se a defender.
Mantem o 4x2x3x1 e o mesmo numero de avançados, mas o duplo-pivot deixou de aguentar todo o peso da equipa porque o comportamento em transição defensiva os avançados e médio mais ofensivo é outro, recuando em cobertura ou pressionando alto. A equipa fica completa nos diferentes momentos do jogo, sem meter mais defesas (os laterais ofensivos Felipe Luís e Juan Fran deixaram de subir tanto sem critério, ganhando maior noção posicional a fechar) ficando mais na posição nem perde dinâmica atacante, por, sem tirar avançados, pedir a estes que «trabalhem» mais em recuperação. Uma transformação/comportamento que faz quase hoje parecer o At.Madrid de Simeone uma equipa defensiva por definição por explorar mais o contra-ataque a partir do baixar, nos três corredores, do ataque e segunda-linha do meio-campo. É a visão táctica de Simeone, um treinador emergente a explicar hoje como a defender com muitos...avançados
Iniciar a criação de situações de ataque com base em relações seguras. Parece difícil imaginar Diego, mas jogando descaído sobre a direita, flectindo depois para pegar no meio (como jogou na goleada 4-0 à Real Sociedade) dá tempo ao resto dos jogadores envolvidos no processo ofensivo procurarem uma prévia desmarcação com a equipa em posse. Por outro lado, mantendo o duplo-pivot posicional, apoiado de perfil pelo recuo dos alas, facilita o activar de um ataque mais organizado desde trás perante casos de impossibilidade (forte pressão alta adversária) para lançar o contra-ataque.
É certo que ainda passaram poucos mas esta transformação de Simeone no jogar do At.Mdrid é hoje dos case studys tácticos mais interessantes do futebol espanhol esta época.

A dimensão física
Na parte final do jogo, as equipas têm tendência a procurar soluções nos jogadores fisicamente mais fortes, em termos de potência atlética. Pensando no desgaste físico que o jogo provocou faz, à primeira vista, sentido, mas esse factor de maior resistência não está directamente relacionado com aqueles jogadores mais possantes. Tenho essa reflexão vendo jogar Sevilha e Espanhol e sus jogadores mais em «rota de colisão táctica».
Comportamentos distintos de reagir ao «plano de jogo». O Sevilha cresce muto com um jogador de perfil roda-baixa (1,72m.) como o paraguaio Medel, médio-volante robusto, com a chamada intensidade de jogo. O Espanhol tenta fazer isso metendo o Romaric (1,87m), forte a pisar na mesma zona dos pivots-trincos.
É, porém, uma ilusão de robustez. Só com um pivot (Baena), soltando Javi López nas transições e Verdú para a segunda linha guerreira a equipa agarra melhor o jogo fisicamente, mesmo na tal parte final quando muitos onzes começam a ficar com a língua de fora. Em qualquer momento a chave é proteger a bola em momentos de transição (defensiva e/ou ofensiva)