A REVOLUÇÃO DE MEDFORD E PAVÓN

22 de Junho de 2001
COSTA RICA E HONDURAS SÃO AS NOVAS SENSAÇÕES (Mundial 2002-apuramento)

A historia do futebol mexicano é das mais ricas do mundo. Histórico dominador da região da CONCACAF, o México soma 11 participações na fase final do Mundial. O novo século parece, no entanto, trazer novas tendências. Enquanto os EUA continuam a sua evolução competitiva, outras nações, como a Costa Rica de Medford e as Honduras de Pavón, emergem para desafiar o gigante mexicano agora mergulhado numa profunda crise, derrotado ontem á noite em San Pedro Sula, pela sensacional Honduras (3-1) e em risco de falhar o Mundial 2002.
Está a chegar ao fim a longa travessia do futebol americano de assalto ao domínio do futebol da região da CONCACAF, a Confederação da América do Norte, Central e Caraíbas, culminando um projecto lançado o inicio dos anos 90. Uma meta confirmada no apuramento para o Mundial-2002, liderada pelos EUA, que em 15 pontos possíveis conquistou 13, remontando já a 1985 a sua ultima derrota em casa, em jogos para o Mundial – quando foi vencido pela Costa Rica- mantendo a invencibilidade desde há 19 jogos. Este domínio do soccer tem, no entanto, as suas raízes actuais na profunda crise em que se encontra mergulhado o futebol mexicano, por entre a qual emergem as outras duas novas sensações do futebol centro-americano: Costa Rica e Honduras. Na liderança espiritual desta sensacional Costa Rica está o veterano Hernand Medford, um resistente do Mundial-90, data da sua única participação num Mundial, então treinada pelo sérvio Bora Milutinovic. Nesse tempo então, o mundo ficara espantado com um jovem estremo costariquenho que com a sua velocidade, recebeu um passe do seu colega Guimarães, um brasileiro naturalizado costariquenho que é hoje o seu actual seleccionador, fez o golo que eliminou a Suécia, e levou a Costa Rica aos 1/8 final do Mundial. 11 anos depois, é o mesmo homem, agora com 34 anos, que volta a recolocar o onze costariquenho na rota do Mundial. Actualmente a jogar no Necaxa, após três anos no León, Medford causou polémica ao dizer que o México já não era o gigante que outrora dominava o futebol da região. Dias depois, no Asteca, endiabrado, fez um golo e, num ápice, silenciou 100 mil pessoas naquela que foi a primeira derrota (1-2) sofrida pela selecção mexicana em 52 jogos para o Mundial disputados naquele fabuloso Estádio. A seu lado, Medford tem agora uma geração renovada onde também brilham Reynaldo Parks, Rolando Fonseca e Paulo Wanchope, o perigoso avançado do Manchester City.

HONDURAS: SOB O SIGNO DE PAVÓN

A outra revelação do hexagonal rumo ao Mundial-2002, é a selecção das Honduras, que ontem bateu o México por 3-1, com três golos de outro homem radicado no futebol mexicano: o ponta de lança Pavón, jogador do Morelia. A única participação hondurenha num Mundial remonta a 1982. Dessa participação, ficou a memória de um futebol essencialmente técnico, voluntarioso, mas, naturalmente, carente de maturidade mental e táctica, mas que quase atingiu os 1/8 final, derrotada no ultimo minuto pela Jugoslávia, após empatar com Espanha e Irlanda do Norte. Nesse tempo, os heróis hondurenhos eram Arzu, Zelaya, Figueroa e o capitão Ramón Maradiaga que hoje, quase duas décadas depois, surge como seleccionador nacional, dirigindo os homens que sonham repetir o feito de 82, entre os quais estão, para além de Pavón, os médios Guerrero, Guevara e o avançado David Suazo, jogador do Cagliari, de Itália.

MEXICO: A CRISE DE UMA GERAÇÃO

O descalabro mexicano já começara, no entanto, no inicio do ano passado, quando perdeu frente ao Canadá na Gold Cup 2000. O mau momento estendeu-se também á selecção Sub-23, afastado dos jogos olímpicos pelas Honduras e á Selecção Sub-20, eliminada do Mundial-2001 pela Jamaica, mas seria com o arranque da campanha rumo ao Mundial-2002, iniciado com uma clara derrota nos EUA (2-0) que a crise azteca se tornou preocupante. Uma crise agudizada com a goleada no particular frente á Inglaterra (0-4) e com três derrotas na Taça das Confederações, frente a Austrália, Coreia do Sul e França. No centro dos ataques, está o seleccionador Enrique Meza, El Ojitos, que chegara ao cargo com aura de campeão, após os títulos conquistados no Toluca, em 98, 99 e 2000, sucedendo ao senhor futebol mexicano, Manuel Lapuente Após patrocinar o regresso á selecção do pitoresco guarda redes Jorge Campos, Meza apostou num onze equipa que ainda gira em torno dos veteranos Claudio Suarez, o jogador mais internacional no futebol mundial, Del Olmo e Luis Hernandez, todos perto do 33 anos. Aprisionado numa crise geracional, o México busca novas referências para a sua selecção, mas nenhumas das figuras da nova geração está ao nível dos seus antecessores. Falta um goleador como Hugo Sanchez ou Hermosilo, estrelas que nem o virtuoso avançado do Cruz Azul, Palencia ou Abundias, do Toluca, conseguem apagar da memória dos loucos adeptos mexicanos. Em 19 jogos á frente da selecção, Meza ganhou 5, perdeu 11 e empatou 3. Marcou 24 golos e sofreu 32. Esta é, desde há longos anos, a pior campanha mundialista de uma selecção mexicana. Face a este descalabro, não lhe restou outra saída que apresentar a demissão e abrir caminho para outro salvador, que será, certamente, Javier Aguirre, que como treinador do Pachuca, levou 79 anos depois este lendário clube mexicano de regresso ao titulo de campeão que lhe fugia desde 1920. Será ele capaz do mesmo milagre no banco azteca?

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