Observando os jogadores ao dispor e as opções de Inaki Sáez, conclui-se que, um dos pontos mais débeis, situa-se hoje na defesa, onde, por exemplo, faltam laterais de categoria indiscutível, sobretudo face á opção de fazer alinhar Puyol, defesa direito do Barcelona, como central, ao lado de Helguera ou Marchena, suplente no Valência. Desta forma, surge, na direita, o aguerrido Michel Salgado. Na esquerda, as opções são Raúl Bravo, suplente no Leeds, ou Juan Fran, do Celta, bom jogador mas apenas de apoio, raramente causa desiquilibrios. A organização meio campo-ataque, depende muito da táctica adoptada.
O sistema em que Sáez mais crê é o 4x2x3x1, como jogou na Irlanda (0-0). Contra a Grécia (0-1) optara, no entanto, pelo 4x3x1x2. Apesar de possuir um bom grupo de pontas-de-lança (Torres, Morientes, Tristán, Luque...), Saéz cede muitas vezes á tentação de colocar Raúl no centro do ataque, o que, em 4x2x3x1, como sucedeu em Belfast, faz com que, na prática, jogue sem um nº9 clássico. Com o doble-pivot Sérgio-Baraja imutável, a zona criativa do onze mora no meio-campo, esse sim, o lugar ideal de Raúl, como enganche ofensivo com o homem mais avançado. A seu lado, dois alas, Vicente e Etxeberria,.
Apesar de esforçados, apenas agravam os problemas sentidos, desde a defesa, nos flancos, zona onde faltam rompedores e começa a ser enigmático o sub-rendimento de Joaquín. Em 4x3x1x2, a solução seria avançar Raúl e colocar Valerón como orquestrador. Mesmo sem ganhar, foi o sistema no qual jogou melhor, revelando-se mais dinâmica e inteligente nas verticalizações com bola e nas diagonais sem ela. Numa análise global, a Espanha, apesar das carências, revela, hoje, muito maior qualidade de jogo do que, por exemplo, a Alemanha, também a viver dias difíceis, mas, ao contrário dos espanhóis, sempre capaz de, com a sua superior frieza mental, superar as fraquezas técnicas. Por seu lado, a Espanha, tipicamente latina, agoniza com a insustentável leveza do seu ser, e, apesar de dominar 90 minutos, não consegue libertar-se da ansiedade competitiva que, historicamente, sempre a atraiçoou nos momentos decisivos.